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19.10.12

Resenha: Na Própria Carne - Júlio Emílio Braz

Na Própria Carne Editora: Larousse Jovem
Autor: Júlio Emílio Braz
Título original: Na Própria Carne
Páginas: 72
Tempo de leitura: 1 hora

Eu comprei Na Própria Carne nesta sexta-feira, na escola. Ele é um daqueles livros paradidáticos e em breve terei que fazer uma prova sobre ele. Naturalmente, esse tipo de livro não costuma ser muito questionador ou profundo, a pouca quantidade de páginas sempre acaba dando espaço à uma história que em diversas vezes são mal construídas e rápidas demais. Assim como o outro livro deste autor que li neste ano, Longas Cartas Para Ninguém, este livro está além do que os paradidáticos geralmente oferecem e foi uma grata surpresa.
A chuva cai. As lágrimas caem. Olhos na cidade, cabeça em você.
O livro conta a história de Camila, uma garota de 15 anos que descobre estar grávida e acaba tendo que enfrentar diversos questionamentos típicos desta idade. Pela cabeça de Camila passam-se pensamentos acerca das escolhas e consequências de suas futuras decisões, assim como podemos acompanhar as mudanças na vida da personagem nesse doloroso e precoce rito de passagem.
[...] o temido hiato onde a vida parece tolice, um despropósito, e eu tenho vontade de morrer.
Eu gostei deste livro. Sem dúvida, os paradidáticos deste ano estão bem melhores do que os do ano passado, felizmente, os meus dois foram de Júlio Emílio Braz o qual eu já tinha lido há algum tempo atrás, O Blog da Marina, que basicamente foi um dos livros que me incentivaram a continuar lendo e apreciar o gosto pela leitura. Mesmo que Na própria Carne tenha sido considerado um livro bom para mim, ainda acho que ele seja inferior à Longas Cartas Para Ninguém. Assim como o livro anteriormente citado, Na Própria Carne também possui um tema delicado a ser abordado, porém eu acho que no outro livro, Júlio tratou de tudo com mais clareza, com passagens fortes, na medida certa.

Sem dúvida, o aborto é um grande tabu e eu aprecio muito a coragem de um tema desses ser abordado em um livro em que geralmente os temas são mais fracos ou leves. Porém, eu não gostei muito da forma como o autor tratou disto. Eu sou daqueles que gosta quando uma ferida da sociedade é tocada em qualquer meio que seja feito, gosto quando as pessoas se arriscam, mas parece haver um encorajamento para que os jovens engravidem e depois realizem aborto, afinal "nada de mal pode acontecer a você" e "você pode tentar outra vez mais tarde". Temo estar colocando muita opinião nessa resenha e, mesmo que respeite as pessoas que são a favor do aborto, ainda acho que mesmo que essas coisas sempre sejam chatas e clichês, poderia haver algum tipo de moral implícita neste livro. Enfim, ainda aprecio muito a escrita de Júlio e recomendo este livro, mas você precisa ler sem preconceitos.
Crescer é isso, ou seja, enfrentar problemas o tempo todo, ser responsável, por cada decisão que você toma. De certa forma, o aborto foi o meu adeus à adolescência e um conturbado bem-vindo ao mundo adulto.
Bem-vinda ao mundo adulto, Camila!
4,5 de 5