Editora: Panda Books
Autores: Bruna Surfistinha / Jorge Tarquino
Título original: O Doce Veneno Do Escorpião
Páginas: 168
Tempo de leitura: 2 horas
Eu comprei O Doce Veneno do Escorpião em epub no Gato Sabido (executando a minha já conhecida tarefa de converter para o arquivo compatível com o Kindle) e não esperava muito. Afinal, o livro era bem pequeno e eu consegui ler em apenas uma sentada. Agora, tendo terminado a leitura, não posso afirmar que o livro escrito pela ex-garota de programa Raquel Pacheco seja algo tão forte e bem estruturado quanto é o filme com a Deborah Secco, mas posso dizer que me impressionei positivamente com a história.
Acabei fazendo seis programas naquela tarde. Nunca mais voltei para casa. Nunca mais vi meus pais.
O livro é uma não-ficção e trata a história (obviamente verídica) de Raquel, uma garota adotada por uma família rica, desde criança com problemas de personalidade e auto-estima. A garota acaba se tornando uma adolescente problemática e o tratamento frio de seus pais, depois de diversas coisas erradas que ela já fez, a faz tomar uma decisão drástica. Tendo em vista as poucas possibilidades para um garota da sua cidade, Raquel decide se tornar uma garota de programa, atendendo agora pelo nome de Bruna.
Eu sabia que era para nunca mais. Ela não. Fiquei parada na porta um segundo, olhando para ela. Ela não se virou. Me arrependo tanto do abraço que não tive coragem de dar naquela hora. Eu amo a minha mãe. Ela não sabia. Ela não se virou. Não veio nenhuma palavra, nenhum gesto. Nem dela, nem meu. Me virei. Em silêncio, fechei a porta atrás de mim.Tchau, mãe.
Eu tenho que confessar, absolutamente amo o filme que foi baseado neste livro, e fiquei um embasbacado ao descobrir que o filme não retrata totalmente o que aconteceu na realidade. Mesmo que Bruna/ Raquel narre nas páginas do livro, basicamente tudo o que o filme mostrou, com mudanças de personagens e locais, porém de uma forma bem mais pessoal, realista. Nas resenhas do skoob eu notei que muitas pessoas classificaram o livro negativamente por não concordarem com as atitudes de Raquel, a acharem uma adolescente mimada e sem propósito, e eu só conseguia imaginar que essas pessoas não tinham lido o livro até o fim.
Um monte de caras fica chorado desconto, vantagens, exclusividade. Não tenho saco para nada disso. Da mesma forma que entrei nessa, sei que vou sair.
O Doce Veneno do Escorpião não é um livro excepcional, mas também não pode ser encarado como uma diversão para se ler no fim de tarde. Mesmo sendo um livro consideravelmente mais leve, com uma linguagem fácil, ele possui um nível de comoção que é, sem dúvida, admirável. Uma coisa que me chamou atenção, de forma negativa, foi o jeito como Raquel organizou os acontecimentos a serem narrados. Sem o estabelecimento de um tempo definitivo, fica difícil saber de qual momento Raquel escreve e imprimi suas opiniões. Fora os detalhes de escrita que, sim, é muito pobre, afinal Raquel não é uma escritora (mesmo tendo usado de um ghost-writer, acredito que a forma vulgar ou até mesmo simples tenha sido proposital para que o diário parecesse mais realista), eu considero o livro como 4 estrelas, o que já está de bom tamanho. Leria de novo, se tivesse tempo e eu talvez eu leia futuramente. Recomendo!
Para sermos felizes precisamos sempre abrir mão de algo.
4 de 5