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29.2.12

Diário de Bordo #004: O leitor crítico

Crônicas e textos sobre as aventuras do humilde autor deste blog para se tornar um escritor. Sobre os livros, como fazê-los e as dificuldades do mercado, tudo isso no Diário de Bordo.
Quando você termina um livro, tendo editado-o por completo ou não, está apaixonado por ele e pelo quê você criou. Afinal, fora uma longa e árdua jornada até chegar aqui, com todas essas letras, palavras, verbos, depois de ter construído todo um enredo, história e seus personagens. Mas, claro, daí vem a incerteza. Será que meu livro é tudo isso mesmo o que eu acho?

Essas dúvidas me envolveram assim que terminei a escrita de Roleta Russa, mesmo que achasse que seria o grande best-seller da minha vida ainda achava que tinha que ouvir um opinião de fora, uma opinião que não seja imparcial como a minha que aponte os erros reais. Familiares? Eu já tentei, mas claro, eles adoraram o livro e alguns nem tiveram coragem de por os olhos no livro, por não terem hábito de leitura.

Até que, nesse mundo dos blogs, descobri algo que me ajudaria muito. Era fácil! Eu só tinha que conseguir um leitor crítico que tivesse uma boa experiência e pudesse compreender a mensagem que quero passar no livro, assim como todas as coisas que podem parecer estranhas aos olhos de leitor. Mas como achá-lo? Como encontrar alguém que tivesse a mesma ideia que eu?

Depois de um tempo procurando, pude perceber que era completamente impossível. Pois, só eu terei a ideia perfeita de cada palavra e o que quis passar ali. Algumas cenas que, para mim, são importantes e eu não medi esforços para defender na hora crítica de cortar cenas desnecessárias vão passar um pouco despercebidas pelo leitor, fazendo-o reparar em outras cenas que possam caracterizar o caráter do seu personagem favorito.

Eu resolvi escolher por blogueiros, criando uma campanha de divulgação, algo que muitos outros autores iniciantes fazem por aí. Eu ainda estou para enviar o resto dos exemplares e por enquanto só alguns blogueiros estão com o meu livro na mão. Sim, eu fiquei bastante apreensivo e assim estou até hoje, esperando sua resposta, mas sei que não devo me prender a elas.

Um leitor crítico, de certa forma, pode ser muito bom para você poder notar o que fez de errado e bom no livro e poder destacar o lado bom da história no próximo livro e tentar excluir por completo algo que a pessoa que provou o livro não gostou muito. Escolhi blogueiros porque eles têm uma experiência literária e sabem muito bem analisar os pontos fortes e fracos de um livro.

Mas claro, antes de tudo, eu prometi a mim mesmo que não me abalaria com quaisquer opiniões ruins. Sim, vou procurar melhorar, mas há coisas que fazem parte do que planejei desde o início para o livro e que não posso mudar simplesmente porque não vai de acordo com a opinião do leitor. O leitor crítico é uma ótima opção para poder avaliar seu livro antes das editoras.

Mas se deve tomar cuidado, o jeito como você escreve e a ideia central do enredo não pode ser mudada, se você acha que isso não deve acontecer.


matheus goulart
autor de Roleta Russa, compre: http://www.bookess.com/read/9411-roleta-russa/
acesse o blog da série: www.serieroletarussa.blogspot.com

22.2.12

Diário de Bordo #003: Mercado editorial brasileiro, falta de valorização?

Crônicas e textos sobre as aventuras do humilde autor deste blog para se tornar um escritor. Sobre os livros, como fazê-los e as dificuldades do mercado, tudo isso no Diário de Bordo.
Quando você escreve seu primeiro livro, ou, que seja, o primeiro livro seu que considera "publicável", digamos assim, nem imagina que para ele se tornar um livro de verdade, ir para as prateleiras e ganhar leitores ainda existe um caminho enorme, assustadoramente difícil e cheio de barreiras e caminhos diferentes para se descobrir. Se você pensa que seu livro irá ser publicado após alguns meses de sua escrita, está muito enganado.

Atualmente, as editoras grandes que publicam, em sua maioria, livros de autores estrangeiros, têm a desculpa de que "desculpe, mas este livro não se enquadra em nossa linha editorial", o que, às vezes, pode ser até real. Afinal, você vai enviar um livro que se trata de literatura fantástica para uma editora que tem em seu currículo zilhões de livros com a temática romântica/ chick-lit?

Mas existe um ponto a ser discutido neste fato, essas editoras que só publicam livros de determinado gênero não perdem tempo em escolher aquele livro fantástico estrangeiro que fez sucesso na última Feira do Livro para fazer parte de seu catálogo, todo mundo quer ter um subtítulo de best-seller na capa do livro, isso chama leitores e, claro, infla o ego da editora.

O pior é que, atualmente, editoras brasileiras em sua maioria publicam somente autores estrangeiros, o que é uma vergonha. Uma vez que, aquele livro que deu certo e figurou séculos no The New York Times não dá certo aqui no Brasil, afinal, em cada país o tipo de livro que o leitor escolhe e gosta é bem diferente, são culturas diferentes e não pode dar certo por aqui.

Assim que terminei Roleta Russa fui atrás de editoras para a publicação e fui analisando o seu perfil literário, e encontrei uma cujo nome e sinopse dizem apoiar a publicação de autores brasileiros, claro que percebi que a tal editora diferenciava a diagramação e o cuidado em suas publicações brasileiras e as estrangeiras, mas tava valendo. Publicar é um sonho e eu quero realizar.

A editora, em pouco menos de uma hora, "avaliou" todas as quase quatrocentas e poucas páginas do meu livro e deu um sim. Claro que vibrei, mas tudo foi por água abaixo quando descobri o verdadeiro valor de tudo isso. A editora me cobrou dezessete mil reais pela publicação por um sistema em que eles publicam o livro em uma tiragem e eu compro metade dela.

Eu mandei-lhes um e-mail dizendo a verdade, afinal não tenho dezessete mil para dar na hora. Era um sonho, mas eu não iria fazer mais do que posso, existem outras por aí que parecem publicar sem o pedido de compra de metade da tiragem, então a editora, sabendo que não poderia participar da oferta, me deu um bloqueio tremendo dizendo que "o sistema tinha de ser cumprido por todos e tinham fechado o planejamento do catálogo".

Fiquei de queixo caído e isso, de certa forma, me deixou mais atento para o mercado editorial brasileiro. As editoras que dizem publicar autores novos e dar total apoio para a literatura nacional, poderiam fazer isso? Como elas queriam que uma pessoa iniciante teria grana para bancar tais valores e por uma publicação que era feita apenas para atingir a cota? 

O que me leva a pensar, no mercado, há certa falta de valorização dos autores brasileiros ou elas estão certas, afinal, apostar em algo desconhecido é bem mais arriscado do que publicar um livro que já tem sucesso e fãs? Nos vemos na próxima semana e prometo responder todos os comentários abaixo!


matheus goulart
autor de Roleta Russa, compre: http://www.bookess.com/read/9411-roleta-russa/
acesse o blog da série: www.serieroletarussa.blogspot.com

15.2.12

Diário de Bordo #002: Inspirações, boas ou ruins?

Crônicas e textos sobre as aventuras do humilde autor deste blog para se tornar um escritor. Sobre os livros, como fazê-los e as dificuldades do mercado, tudo isso no Diário de Bordo.
Atualmente na escrita do meu terceiro livro, os que escrevi formalmente, digamos assim, comecei a pensar em inspirações nos livros. Eu escuto muita música diariamente e elas sempre foram usadas por mim para poder escrever determinadas cenas que combinassem com os ritmos. Eu as ouvia ao mesmo tempo em que ia digitando as palavras, permitindo-me absorver aquela emoção e passá-la paras páginas.

Mas, agora que estou em meio terceiro e acabo de passar uma edição final do meu primeiro, fico pensando se não me deixei levar pelas emoções daquelas músicas. Algumas cenas, estavam completamente ridículas, com palavras mal buscadas e repetitivas, objetivas até demais. Quando as escrevi, tive o apoio da música para me passar a emoção, mas quando o leitor a tiver em suas mãos não vai ter a mesma reação.

Se escrever é um trabalho para públicos e depende do que seus futuros leitores irão pensar, a inspiração musical não seria um individualismo literário? Será que passarei a ideia de sentimentos superficiais sem o apoio das músicas? Foi com esta ideia que aboli totalmente do meu livro novo, a inspiração com as músicas, escutá-las para poder escrever.

O que pode ser considerado meio paradoxal, uma vez que neste livro, a música é bem evidenciada e faz parte do grande núcleo da história. Não revelo mais sobre este livro, por acreditar se tratar de uma ideia que só posso passar depois de escrito e revisado, podem haver diversos reajustes (mesmo que eu espere que não haja). Mas, enfim, o assunto que queria abordar não era exatamente esse.

Como posso escrever um livro, internamente musical, se as músicas não me ajudam a ter o tom que eu preciso para escrever? Foi então que pude perceber, a inspiração não está nos ritmos, não precisa ser escutada na hora exata do livro. Pode vir de quando eu estiver sentado, sem nada para fazer e tiver um insight, estiver escutando, vendo um filme ou até lendo uma notícia.

Com a abolição das músicas me senti tendo um pouco mais de controle sobre o que escrevo, quando as escutava era eu guiando meus dedos na velocidade da música e agora posso ter mais liberdade com as palavras e tempo para refletir o assunto que devo abordar em seguida. Assim como pensar em palavras mais rebuscadas e também ver como aprofundar relacionamentos e criar cenas, não só de ação completa, mas que  demonstre a qualidade das relações presentes.

Não sei se isso só funciona para mim, mas acredito que a inspiração musical é boa, mas não deve interferir na ideia que você já criou para um livro e nem na emoção das cenas. Porém não deve deixar de escutá-las, pois é delas que vêm as maiores ideias para os livros. Mas, se você consegue escrever e ouvir música, sem achar denigra o seu texto, faça-o, busque sempre se tornar melhor e fazer sua melhor performance.

matheus goulart
autor de Roleta Russa, compre: http://www.bookess.com/read/9411-roleta-russa/
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4.2.12

Diário de Bordo #001: O mundo novo

Crônicas e textos sobre as aventuras do humilde autor deste blog para se tornar um escritor. Sobre os livros, como fazê-los e as dificuldades do mercado, tudo isso no Diário de Bordo.
A gente não escolhe as histórias, não escolhe como começar, muitos menos sobre o quê escrever. Escrever uma história é muito fácil. Criar asas à sua imaginação em um processo mágico, acompanhando aonde a sua história pode levá-lo, ao mesmo tempo em que se sente no poder de ditar as regras no seu mundo, no mundo que escolheu criar e viver por um tempo, até o fim da história.

Agora, ser escritor é muito mais além disso. É ficar até altas horas da madrugada, perdendo uma boa noite de sono para continuar imaginando, fazer todo o trabalho extremamente burocrático, de editar os erros do seu livro, dar suporte à história, fazendo as mudanças necessárias e as ligações de cena que o livro precisa, assim como cortar coisas que, no calor da escrita, lhe pareceram confortáveis e agora se tornaram desinteressantes.

Os dois mundos se conectam, o da pura realidade, de ser escritor e o da imaginação, o mundo de açúcar, leve e divertido de guiar uma história e, de repente, se transformação em sua estréia como escritor. Quando você vê, já acabou de escrever um livro e passa a se ver como um grande autor e contador de histórias. Determinado a fazer de tudo para que o que você contou seja disseminado para todos os tipos de povos da Terra.

Meu dia irá chegar, é o que você diz a si mesmo, Tenho um best-seller em mãos. Até você se dar conta de que o que criou não é tão fantástico assim, funcionou antes e agora não funciona mais, com você. Imagine com os outros? A história que parecia uma coisa perfeita, brilhante e imutável, agora é algo mal colocado, com um milhão de pontos fracos, até mais do que o que ele tem de bom.

E você fica pensando se não é só auto-crítica demais. Foi isso o que aconteceu alguns meses após escrever meu primeiro romance, ele ficou engavetado para sempre em lixo eletrônico e acabou se tornando tentativa não-sucedida de decolar como escritor. Você passa alguns meses sem tocar num teclado para os mesmos fins, não quer mais contar uma história, está em greve.

Até então que algo lhe inspira profundamente e o faz voltar a escrever. O mundo novo, onde tudo se conecta, está de volta, totalmente diferente do outro. Desta vez, você o aperfeiçoa mais, deixa-o mais real, com mais informações, uma história mais enxuta, maior. Você o termina, faz as coisas necessárias e aí passa a descobrir que nada é tão fácil assim.

O mercado brasileiro editorial é preconceituoso com escritores mais novos e brasileiros, que ainda escrevem ficção vampírica, algo que agora é totalmente  evitado pelas editoras. Você sente seu talento desperdiçado, mas tem críticas boas ao seu favor e está determinado a fazer de seu livro, sim, o novo e aperfeiçoado, um conhecido dos leitores.

Agora, dia e noite a sonhar com o sucesso. Com repórteres lhe perguntando sobre ele, leitores ávidos por continuações, uma adaptação cinematográfica, o sucesso dela, o lançamento de uma continuação, outro filme, uma estabilização financeira, profissional também. Talvez possa viver de livros, possa continuar criando, criando e criando.

Vivendo de sua imaginação, continuando a imaginar mundos novos e seguindo sua jornada. Uma longa e árdua jornada, mas prometendo a si mesmo. Irei comprí-la.

matheus goulart
autor de Roleta Russa, compre:  http://www.bookess.com/read/9411-roleta-russa/
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