Crônicas e textos sobre as aventuras do humilde autor deste blog para se tornar um escritor. Sobre os livros, como fazê-los e as dificuldades do mercado, tudo isso no Diário de Bordo.
A gente não escolhe as histórias, não escolhe como começar, muitos menos sobre o quê escrever. Escrever uma história é muito fácil. Criar asas à sua imaginação em um processo mágico, acompanhando aonde a sua história pode levá-lo, ao mesmo tempo em que se sente no poder de ditar as regras no seu mundo, no mundo que escolheu criar e viver por um tempo, até o fim da história.
Agora, ser escritor é muito mais além disso. É ficar até altas horas da madrugada, perdendo uma boa noite de sono para continuar imaginando, fazer todo o trabalho extremamente burocrático, de editar os erros do seu livro, dar suporte à história, fazendo as mudanças necessárias e as ligações de cena que o livro precisa, assim como cortar coisas que, no calor da escrita, lhe pareceram confortáveis e agora se tornaram desinteressantes.
Os dois mundos se conectam, o da pura realidade, de ser escritor e o da imaginação, o mundo de açúcar, leve e divertido de guiar uma história e, de repente, se transformação em sua estréia como escritor. Quando você vê, já acabou de escrever um livro e passa a se ver como um grande autor e contador de histórias. Determinado a fazer de tudo para que o que você contou seja disseminado para todos os tipos de povos da Terra.
Meu dia irá chegar, é o que você diz a si mesmo, Tenho um best-seller em mãos. Até você se dar conta de que o que criou não é tão fantástico assim, funcionou antes e agora não funciona mais, com você. Imagine com os outros? A história que parecia uma coisa perfeita, brilhante e imutável, agora é algo mal colocado, com um milhão de pontos fracos, até mais do que o que ele tem de bom.
E você fica pensando se não é só auto-crítica demais. Foi isso o que aconteceu alguns meses após escrever meu primeiro romance, ele ficou engavetado para sempre em lixo eletrônico e acabou se tornando tentativa não-sucedida de decolar como escritor. Você passa alguns meses sem tocar num teclado para os mesmos fins, não quer mais contar uma história, está em greve.
Até então que algo lhe inspira profundamente e o faz voltar a escrever. O mundo novo, onde tudo se conecta, está de volta, totalmente diferente do outro. Desta vez, você o aperfeiçoa mais, deixa-o mais real, com mais informações, uma história mais enxuta, maior. Você o termina, faz as coisas necessárias e aí passa a descobrir que nada é tão fácil assim.
O mercado brasileiro editorial é preconceituoso com escritores mais novos e brasileiros, que ainda escrevem ficção vampírica, algo que agora é totalmente evitado pelas editoras. Você sente seu talento desperdiçado, mas tem críticas boas ao seu favor e está determinado a fazer de seu livro, sim, o novo e aperfeiçoado, um conhecido dos leitores.
Agora, dia e noite a sonhar com o sucesso. Com repórteres lhe perguntando sobre ele, leitores ávidos por continuações, uma adaptação cinematográfica, o sucesso dela, o lançamento de uma continuação, outro filme, uma estabilização financeira, profissional também. Talvez possa viver de livros, possa continuar criando, criando e criando.
Vivendo de sua imaginação, continuando a imaginar mundos novos e seguindo sua jornada. Uma longa e árdua jornada, mas prometendo a si mesmo. Irei comprí-la.