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1.3.15

Resenha: Cidade do Fogo Celestial - Cassandra Clare (Os Instrumentos Mortais #6)

O capítulo final de Os Instrumentos Mortais finalmente chegou as minhas mãos depois da verdadeira saga de reler todos os livros da série antes de ler o último. Com a história fresquinha na mente, mal podia esperar para ver o que aconteceria com Clary, Jace, Sebastian e todo o mundo dos Caçadores de Sombras. Aproximando-se de um desfecho grandioso, Cidade do Fogo Celestial traz à tona tudo o que Cassandra Clare esteve preparando nos livros anteriores e o resultado não poderia ter sido mais espetacular.

Em busca de uma forma de deter o irmão demoníaco (cujo único objetivo é trazer o mundo as ruínas, pelo simples prazer de fazê-lo), Clary, junto de seus amigos, parte em uma expedição não-convencional em direção aos reinos infernais, onde Sebastian se encontra. Mas antes de tudo, precisamos ir ao começo do livro, as primeiras páginas, onde somos apresentados ao instituo de Los Angeles. Emma Carstairs e Julian Blackthorn e sua família estão sendo atacados pelas forças de Sebastian e seus Crepusculares, uma forma de ligação à próxima série de livros da autora com o mesmo tema. 

Mas não é só essa pontinha que é dada aos novos personagens, que vão ter uma boa participação nas páginas seguintes, porém, mesmo assim, achei bem desnecessário. Pra começar, a ideia de continuar explorando o mundo dos Caçadores de Sombras já soa sem inspiração e oportunista o bastante e nos fazer ler o começo da próxima história quase que obrigatoriamente, não me pareceram uma ideia justa e bem intencionada. Apesar de tudo, o livro consegue equilibrar bem esses novos personagens com os originais, que estão na maioria da trama tentando concluir sua jornada lá nos confins do Inferno.

Neste cenário incomum, temos as melhores e mais reveladoras cenas da série. Enquanto, um grupo x de personagens está sendo mantido refém neste mesmo lugar (o que também nos garante cenas incríveis), Clary, Jace, Simon, Isabelle  Alec - o grupo fadado a salvá-los - passam por diversas coisas que nos mostram pedaços destes personagens que até então não tinha sido muito aproveitados na história. A partir da metade e do estabelecimento desta missão infernal dos principais, o livro perde um pouco de ritmo e passa a se arrastar um pouco, embora revelações continuem a acontecer e experiências importantes (!) sejam feitas por eles.

Porém, todo o ritmo que fez um pouco de falta nesse meio do livro nos é dado no desfecho. Que, CARAMBA, é daqueles de simplesmente cair da cadeira! Épico, surpreendente e emocionante. As últimas páginas de Cidade do Fogo Celestial me trouxeram muitas emoções, além da tristeza por estar acabando. Este foi um dos poucos livros em que o final me agradou quase que completamente. Tudo ficou em seu lugar. Coisas ruins aconteceram, personagens bons morreram, mas tudo foi necessário e justificado.

Fazendo uma análise geral dos 6 livros, é interessantíssimo ver como os personagens evoluíram (juntamente com a escrita da Cassandra Clare). Clary, que começou como aquela mocinha indefesa, fracote que sempre tomava decisões questionáveis, tornou-se um símbolo de força e, por que não, boas decisões. Sempre escolhendo sacrificar-se pelas pessoas que ama, sempre sofrendo, mas nunca reclamando de forma pedante por isso. Isabelle e Alec cresceram muito na série e gostaria muito de que tivesse algum tipo de spin-off focado apenas nos dois e em sua família. Jace, embora continue com basicamente a mesma personalidade convencida e cheia de si, perdeu um pouco daquele egoísmo quando enfrentou alguns demônios do passado e passou a amar Clary. E Simon! Do amigo boboca da personagem principal, ao amigo vampiro boboca da personagem principal, à chave do enredo de um dos livros e uma participação enorme e necessária do último livro. Os Instrumentos Mortais definitivamente não seria tudo isso se não tivesse um personagem feito Simon. E preciso comentar o final dele? Apenas leia (e sofra).

Cassandra não matou por matar, nem escreveu por escrever. Criou uma gama imensa de personagens, principalmente neste último livro, o que foi uma atitude arriscada, mas se comprometeu em fechar tudo o que deveria ser fechado nesta série e criou um dos mais épicos e bem escritos finais para séries Young Adult dos últimos anos. Algumas cenas importantes aconteceram, mas não foram escritas, talvez o maior erro do livro, mas acredito que a autora tentou condensar a história o máximo que pôde, focando-se no que era mais importante, não que eu ache que essa tenha sido uma decisão inteligente. Mesmo que fique aborrecido por ter mais uma penca de livros para serem lançados, não posso dizer que não tenho vontade de ler, porque, apesar de tudo, Cassandra Clare nunca nos faz arrepender a leitura de um livro seu e tenho certeza de que continuará assim.

5 de 5

Resenhas da série:
6. Cidade do Fogo Celestial

(releitura)


27.3.13

Resenha: Cidade de Vidro - Cassandra Clare (Os Instrumentos Mortais #3)


Cidade de Vidro
Clary está à procura de uma poção para salvar a vida de sua mãe. Para isso, ela deve viajar até a Cidade de Vidro, lar ancestral dos Caçadores de Sombras, criando um portal sozinha. Só mais uma prova de que seus poderes estão mais sofisticados a cada dia. Para Clary, o perigo que isso representa é tão ou menos assustador quanto o fato de que Jace não a quer por perto. Mas nem o fora de Jace nem estar quebrando as regras irão afastá-la de seu objetivo: encontrar Ragnor Fell, o feiticeiro que pode ajudá-la a curar a mãe. 






Resenha livre de spoilers!

Quando terminei de ler Cidade das Cinzas, não estava lá muito ansioso para o que viria em seguida. Tinha sim as minhas expectativas a respeito da evolução da trama, mas não o livro seguinte da série dos Instrumentos Mortais não era em si um must-read (deve ser lido, em tradução literal). Mesmo sem muita vontade de ler, comprei o livro pouco depois de realizar a leitura do volume que o precede e ele ficou aqui esperando, virou ano, meses se passaram e eu me encontrava em uma ressaca literária. Até então que me fiz um desafio, ler Cidade de Vidro e todos os livros que me esperam aqui na estante antes da Bienal, em agosto, já que não comprarei nenhum livro até lá, provavelmente. De uma maneira totalmente randômica, eu o escolhi e finalmente consegui engatar a leitura. E mais uma vez, não consegui evitar pensar: Droga, por que eu não o li antes?
—  Algumas leis são feitas para serem quebradas.
O terceiro volume da saga dos Instrumentos Mortais começa pouco depois do fim do segundo, com Clary procurando por uma coisa que pode resolver os seus problemas. Apesar do começo um pouco lento, você só precisa chegar à página 50 para lembrar-se que, afinal, estava lendo um livro de Cassandra Clare e as coisas não poderiam ficar só daquele jeito, viciei-me nesta história de um jeito que não me acontecia desde Cidade dos Ossos (o primeiro, que considero ser o melhor que o segundo em vários aspectos) e me prendi de uma forma que não conseguia desgrudar do livro, gastei a metade de um sábado apenas saboreando a sua história e um domingo, com mais de 4 horas seguidas sentado em uma cadeira de balanço na varanda da minha casa me surpreendendo com o novo volume da saga.
—  Você é minha irmã   disse, afinal.   Minha irmã, meu sangue, minha família. Eu deveria querer protegê-la   soltou um risada silenciosa, sem qualquer humor  , protegê-la de garotos que quisessem fazer com você exatamente o que eu quero fazer.
Cassandra Clare tem todo esse mérito, acredito eu, não que ela tenha uma escrita refinada, afinal estamos falando de um livro YA,  conheço poucos (muito poucos mesmo) que contenham uma linguagem mais complexa, mas sim porque sabe muito bem como organizar um enredo. Trazendo coisas na hora certa, fazendo coisas acontecerem na hora certa (ou errada) e nos fazendo nos desesperar a cada minuto com esse livro que tem cara de fim de série, por inicialmente ser de fato a conclusão da saga. Seus personagens e o mundo de Caçadores de Sombras, Clave, Instrumentos Mortais e Alicante são sim complexos e bem estruturados, tão bem estruturados que, mesmo com essa complexidade que eu apontei, conseguem de fácil entendimento e de um carisma sem igual.
—  Não sou um anjo, Jace   repetiu ela.   Não devolvo livros de biblioteca. Faço downloads ilegais de música na internet. Minto para a minha mãe. Sou completamente normal.

—  Não para mim. —  Ele olhou para ela. Seu rosto pairava frente a um fundo de estrelas. Não havia nada da arrogância de sempre na expressão; ela jamais o tinha visto tão vulnerável [...]
Ao ler Cidade de Vidro, só podia pensar que fazia tempo que não lia um livro assim, com um enredo frenético, bem dividido e desesperador. Um dos grandes trunfos desse livro, algo que o diferencia dos outros, até agora, é a alternância constante de narrativas em 3ª pessoa, isso fez com que os capítulos do livro, a maioria com mais de trinta páginas, não ficassem cansativos, sua quantidade de páginas mal sendo percebidas e pude perceber que se assemelham muito a capítulos de fanfics, as quais Cassandra Clare escrevia antes do estrelato mundial com IM. Os núcleos puderam ser muito mais bem distribuídos e o leitor pode acompanhar todas as faces da história, inclusive saber algumas coisas antes de serem reveladas aos personagens principais.
—  Fraqueza e corrupção não estão no mundo  irritou-se Clary.   Estão nas pessoas. E sempre estarão. O mundo só precisa de pessoas boas para equilibrar. E você está planejando matar todas elas.
Notei um cuidado enorme da Galera Record, um dos únicos erros que consegui notar foi um "Jace subiu a escada e ficou em frente a Jace" e mesmo assim, passa despercebido em meio à grandeza do livro. Neste volume, são tantas coisas acontecendo. Muitas coisas, inclusive, me deixaram de boca aberta e me fizeram ter reações do tipo: "Nãaao! Ai meu Deeeus! O quêeee??" a todo o tempo. Cassandra desfez as pontas soltas centrais do livro, porém entendo que realmente não poderia ter acabado aqui e fico feliz que ainda tenha muito mais história envolvendo Caçadores de Sombras e um dos meus personagens favoritos, que é o Simon. Cidade de Vidro e a trilogia original de Os Instrumentos Mortais é um must-read super recomendado, que vai te fazer ficar surpreso e pensar na história e no mundo de Alicante mesmo depois de fechar o livro. Mal posso esperar para ir a Bienal e comprar o volume seguinte!

Editora: Galera Record
Autora: Cassandra Clare
Série: Os Instrumentos Mortais - Livro Três
Título original: City of Glass
Páginas: 474
Tempo de leitura: 4 dias não consecutivos
Nota: 5 de 5 + <3 (favorito)

Outros livros da série:

1.1.13

Resenha: Cidade das Cinzas - Cassandra Clare (Instrumentos Mortais #2)


Cidade das Cinzas
Editora: Galera Record
Autora: Cassandra Clare
Série: Os Instrumentos Mortais - Livro Dois
Título original: City of Ashes
Página: 404
Tempo de leitura: 4 dias
Compare no Buscapé!

Quando o segundo dos Instrumentos Mortais, a Espada da Alma, é roubada, a aterrorizante Inquisidora chega ao Instituto para investigar — e suas suspeitas caem diretamente sobre Jace. Como Clary pode impedir os planos malignos de Valentim se Jace está disposto a trair tudo aquilo em que acredita para ajudar o pai? Nessa sequência de tirar o fôlego da série Os Instrumentos Mortais, Cassandra Clare atrai os leitores de volta para o lado mais obscuro do submundo de Nova York, onde amar nunca é seguro e o poder se torna a mais mortal das tentações.
Depois de algum tempo com o livro aqui em casa na lista de espera, decidi dar uma chance à sequência da trilogia (agora uma série) de Cassandra Clare. Eu li Cidade dos Ossos em agosto deste ano e me surpreendi positivamente, assim como o primeiro livro, a continuação é igualmente bem trabalhada e devorável e, agora, tem a sua devida evolução de qualidade.

O livro traz novamente os personagens muito bem apresentados do primeiro livro, dando continuidade à tudo o que o primeiro deixou de pontas soltas. Particularmente, eu ainda prefiro Cidade dos Ossos, por toda aquela quantidade de sentimentos e o excesso de coisas que acontecem ao mesmo tempo, mas se for parar para analisar, de uma forma mais profissional, digamos, é possível notar uma melhora na criação do enredo.

Os personagens continuam sendo muito bem escritos e reais, Clary não é daquelas protagonistas chatinhas, mas não é um símbolo de coragem. O melhor continua sendo Jace, com um passado extremamente interessante e com ótimas tiradas que acabam criando as melhores cenas do livro. Simon é uma ótima aposta para os próximos livros, pode render bastante coisa.
— Ora, vamos, Jace — disse Clary. — Você não pode esperar um comportamento perfeito de todos. Adultos também fazem besteiras. Volte para o Instituto e converse com ela racionalmente. Seja homem.
— Não quero ser homem. — disse Jace. — Quero ser movido à angústia adolescente, sem conseguir confrontar os próprios demônios interiores e descontando tudo verbalmente nos outros.
— Bem — disse Luke —, nisso você está se saindo muito bem.
Mesmo que Cidade das Cinzas traga praticamente a mesma quantidade de acontecimentos, todos, claramente, de extrema importância para a trama principal, é visível que tudo aconteceu no momento certo, foi separado de forma certa, intercalando com momentos de calmaria que, logo após, era substituídos pelas clássicas tempestades de Cassandra Clare.

Porém, algo que me fez demorar bastante para terminar o livro (fiquei penando nas últimas 30 páginas) foi a deficiência da autora para escrever cenas de luta e ação nos últimos capítulos. Ela não conseguiu manter um bom ritmo, se perdia em descrições exageradas que acabavam por prejudicar a dinâmica visual. Fora isso, gostei muito do livro e aproveitei cada momento, chegando a virar a noite vidrado no mundo dos Caçadores de Sombras. Sem dúvida, muito recomendado!

4,5 de 5