11.3.15

Resenha: Aristóteles e Dante descobrem os segredos do Universo - Benjamin Alire Sáenz

Aristóteles é um garoto solitário, sem amigos e com uma família meio problemática. O irmão foi preso há anos e, para os pais, é como se ele estivesse morto. O pai ainda sofre com as marcas geradas pela guerra, embora não conte a ninguém sobre. E a mãe, talvez seja o relacionamento mais "normal" que Aristóteles tem dentro de casa. Até que, num verão, ao frequentar uma piscina pública, ele acaba conhecendo Dante, um garoto da mesma idade. Os dois se aproximam quando Dante ensina Ari a nadar e, embora muito diferentes um do outro, o verão que passam juntos acaba fazendo com que os dois criem uma ligação muito forte, redefinindo e questionando conceitos do passado, e tentando descobrir os tais "Segredos do Universo".

Eu acompanhei todo o buzz gerado em cima deste livro. Teve uma época, no ano passado, em que todos falavam de Aristóteles e Dante e eu, imediatamente, me vi interessado em ler, embora não tenha procurado saber sobre o assunto. Demorei para pegar o livro porque percebi que tenho uma tendência a ler livros famosos depois da comoção inicial, e com esse não foi diferente. E fico grato por isso. Porque, mesmo que tenha lido muita coisa boa sobre a obra, o esquecimento foi gradual até a época da minha leitura e isso me fez muito bem. Porque li sem muitas expectativas.

A propósito, 'Aristóteles e Dante' lembra muito livros adolescentes do gênero contemporâneo, como As Vantagens de ser Invisível e Quem é você, Alasca? porque todos estes possuem adolescentes atormentados e em fase de auto-descoberta como protagonistas e isso não é nem um pouco ruim. Eu amo esses livros e este detalhe em comum talvez seja o único, em relação a outros aspectos do livro. Benjamin criou uma trama envolvente, mas que ao mesmo tempo, se passa devagar. Eu li tudo sem pressa, sem vontade de acabar e o livro foi no mesmo ritmo. As coisas vão acontecendo de forma orgânica, dando mais tempo para o leitor processar e analisar.

Realidade. Uma das melhores características deste livro. É possível acreditar que Dante e Aristóteles são reais, mesmo que também tenham aspectos de personagens literários, o autor faz com que acreditemos nos personagens, na trama e nos desdobramentos que cria e isso é um feito e tanto. É possível não concordar com algumas das reações dos protagonistas a certos casos, mas também é muito fácil aceitar e compreender, justamente por esse fato de ele passar uma incrível realidade. 

Com poucos personagens e poucos assuntos em foco, Benjamin Alire tem espaço para poder trabalhar tudo com muito mérito . O conflito dos pais de Aristóteles além de ser bem interessante, tem o espaço necessário na obra, assim como a história com o seu irmão. Esse livro é uma obra recheada do mais puro romance e de uma delicadeza extrema. Trata de determinados assuntos com muita cautela e sempre com boa execução. Ao ler a última página, nos sentimos como se realmente tivéssemos atravessado uma jornada junto com os protagonistas em busca dos Segredos do Universo e, com aquele desfecho, o sentimento é de que nós finalmente os descobrimos. 

5 de 5

2.3.15

Cinema: A adaptação de "Cinquenta Tons de Cinza"

No último mês, não se falou de outra coisa, aliás, desde que essa adaptação foi anunciada, um burburinho se criou. Quem seria o Grey? Quem seria Anastasia? Como eles colocariam as cenas picantes no cinema? Existia muita curiosidade e ansiedade para que o livro fosse adaptado para as telonas e, depois de um tempo, ocorreu a estreia do filme de Cinquenta Tons de Cinza, mostrando que tem tudo para ser mais uma das franquias inspiradas em livros de maior sucesso, sendo a maior estreia de um filme em fevereiro em toda a história do cinema americano.

Mas saiamos dos números e vamos falar do filme. Pra quem não sabe, Cinquenta Tons de Cinza gira em torno da desajeitada srta. Anastasia Steele, estudante do último ano de literatura inglesa na faculdade. O livro começa quando a melhor amiga de Ana, que estuda jornalismo na faculdade, está doente demais para fazer uma entrevista. Anastasia acaba indo no lugar da amiga enferma totalmente no escuro, sem fazer muito ideia de quem seria a pessoa que estava prestes a falar. O objeto da entrevista, por sua vez, é um personagem que, à primeira vista, chama atenção aos seus olhos e é bastante peculiar. Seu nome, Christian Grey.

Christian é o CEO da Grey Enterprises. Resumindo, ele é podre de rico e bastante intimidador também. Durante sua entrevista, Anastasia quase morre de nervoso e só faz demonstrar a sua falta de habilidade em lidar com outras pessoas, principalmente pessoas como Grey. Apesar do começo constrangedor, a personalidade quase intrusiva de Christian faz com que eles se encontrem novamente em algumas outras ocasiões (e Ana aos poucos vai percebendo que ela fica muito feliz com isso) e deem início a um relacionamento. Até então, nada de diferente, não é mesmo? Acontece que Christian Grey não é apenas um cara super poderoso e intimidador, ele tem alguns hábitos e, junto com Ana, descobriremos quais são.

Cinquenta Tons de Cinza é um filme bem fiel ao livro. Muitas cenas mantiveram-se intactas à obra de E. L. James. Que pena (risos). Porque, ao dizer que o filme ficou igual ao livro, tenho que dizer que o filme tem a mesma construção pobre de enredo e personagens, e a mesma habilidade de preencher espaço com cenas irrelevantes, sendo as do filme um pouco melhor, porque eles colocaram mais cenas de amorzinho entre o Grey e Anastasia, focando-se mais no relacionamento em si. No livro, essas cenas fillers foram em sua maioria cenas de sexo, que não significavam muita coisa além do desejo de encher as páginas e fazer jus à temática erótica. Em relação à adaptação, o livro está um pouco inferior quanto à trama, e a rapidez dos acontecimentos, mas como disse, os dois são muito parecidos, então não há muita melhora.

Os atores, por sua vez, me pareceram no ponto dos personagens. Dakota Johnson no papel de Anastasia é quem mais merece elogios. Ela conseguiu captar a essência da personagem de uma forma que Kristen não conseguiu com Bella. Mostrou-se realmente a garota desajeitada, e até um pouco feia, que é descrita nos livros. O Grey ficou um pouco fora do tom. Jamie não pareceu estar completamente confortável no papel, e não passou a confiança necessária para interpretar o Christian. Os outros atores são quase que meros figurantes, já que as cenas são monopolizadas pelo casal principal, mas não vi nenhum destaque negativo. Desafio: Contar quantos segundos e quantas falas teve a cantora Rita Ora nesse filme!

Quando o filme terminou, saí do cinema com o mesmo gosto que tive ao terminar o livro. Começou muito bem, com aquela misteriosidade, que gera um interesse súbito. Mas aos poucos vai desdobrando-se de uma forma pouquíssimo favorável. Coisas desnecessárias acontecem e cenas que só servem para confundir o entendimento, deturpando o que até então achava ser o relacionamento de Christian e Ana, e a opinião desta segunda sobre o que Christian lhe mostrou. As cenas finais são uma coisa que até hoje não entendo e nunca esperei para ler o segundo para descobrir e também não farei com o próximo filme, espero. Assisti a este apenas com o desejo de ter a experiência filme x livro e, agora que já tive, não quero mais. Já posso partir para a próxima.

2,5 de 5
(1 ponto especial para a trilha sonora, que está de matar!)

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1.3.15

Resenha: Cidade do Fogo Celestial - Cassandra Clare (Os Instrumentos Mortais #6)

O capítulo final de Os Instrumentos Mortais finalmente chegou as minhas mãos depois da verdadeira saga de reler todos os livros da série antes de ler o último. Com a história fresquinha na mente, mal podia esperar para ver o que aconteceria com Clary, Jace, Sebastian e todo o mundo dos Caçadores de Sombras. Aproximando-se de um desfecho grandioso, Cidade do Fogo Celestial traz à tona tudo o que Cassandra Clare esteve preparando nos livros anteriores e o resultado não poderia ter sido mais espetacular.

Em busca de uma forma de deter o irmão demoníaco (cujo único objetivo é trazer o mundo as ruínas, pelo simples prazer de fazê-lo), Clary, junto de seus amigos, parte em uma expedição não-convencional em direção aos reinos infernais, onde Sebastian se encontra. Mas antes de tudo, precisamos ir ao começo do livro, as primeiras páginas, onde somos apresentados ao instituo de Los Angeles. Emma Carstairs e Julian Blackthorn e sua família estão sendo atacados pelas forças de Sebastian e seus Crepusculares, uma forma de ligação à próxima série de livros da autora com o mesmo tema. 

Mas não é só essa pontinha que é dada aos novos personagens, que vão ter uma boa participação nas páginas seguintes, porém, mesmo assim, achei bem desnecessário. Pra começar, a ideia de continuar explorando o mundo dos Caçadores de Sombras já soa sem inspiração e oportunista o bastante e nos fazer ler o começo da próxima história quase que obrigatoriamente, não me pareceram uma ideia justa e bem intencionada. Apesar de tudo, o livro consegue equilibrar bem esses novos personagens com os originais, que estão na maioria da trama tentando concluir sua jornada lá nos confins do Inferno.

Neste cenário incomum, temos as melhores e mais reveladoras cenas da série. Enquanto, um grupo x de personagens está sendo mantido refém neste mesmo lugar (o que também nos garante cenas incríveis), Clary, Jace, Simon, Isabelle  Alec - o grupo fadado a salvá-los - passam por diversas coisas que nos mostram pedaços destes personagens que até então não tinha sido muito aproveitados na história. A partir da metade e do estabelecimento desta missão infernal dos principais, o livro perde um pouco de ritmo e passa a se arrastar um pouco, embora revelações continuem a acontecer e experiências importantes (!) sejam feitas por eles.

Porém, todo o ritmo que fez um pouco de falta nesse meio do livro nos é dado no desfecho. Que, CARAMBA, é daqueles de simplesmente cair da cadeira! Épico, surpreendente e emocionante. As últimas páginas de Cidade do Fogo Celestial me trouxeram muitas emoções, além da tristeza por estar acabando. Este foi um dos poucos livros em que o final me agradou quase que completamente. Tudo ficou em seu lugar. Coisas ruins aconteceram, personagens bons morreram, mas tudo foi necessário e justificado.

Fazendo uma análise geral dos 6 livros, é interessantíssimo ver como os personagens evoluíram (juntamente com a escrita da Cassandra Clare). Clary, que começou como aquela mocinha indefesa, fracote que sempre tomava decisões questionáveis, tornou-se um símbolo de força e, por que não, boas decisões. Sempre escolhendo sacrificar-se pelas pessoas que ama, sempre sofrendo, mas nunca reclamando de forma pedante por isso. Isabelle e Alec cresceram muito na série e gostaria muito de que tivesse algum tipo de spin-off focado apenas nos dois e em sua família. Jace, embora continue com basicamente a mesma personalidade convencida e cheia de si, perdeu um pouco daquele egoísmo quando enfrentou alguns demônios do passado e passou a amar Clary. E Simon! Do amigo boboca da personagem principal, ao amigo vampiro boboca da personagem principal, à chave do enredo de um dos livros e uma participação enorme e necessária do último livro. Os Instrumentos Mortais definitivamente não seria tudo isso se não tivesse um personagem feito Simon. E preciso comentar o final dele? Apenas leia (e sofra).

Cassandra não matou por matar, nem escreveu por escrever. Criou uma gama imensa de personagens, principalmente neste último livro, o que foi uma atitude arriscada, mas se comprometeu em fechar tudo o que deveria ser fechado nesta série e criou um dos mais épicos e bem escritos finais para séries Young Adult dos últimos anos. Algumas cenas importantes aconteceram, mas não foram escritas, talvez o maior erro do livro, mas acredito que a autora tentou condensar a história o máximo que pôde, focando-se no que era mais importante, não que eu ache que essa tenha sido uma decisão inteligente. Mesmo que fique aborrecido por ter mais uma penca de livros para serem lançados, não posso dizer que não tenho vontade de ler, porque, apesar de tudo, Cassandra Clare nunca nos faz arrepender a leitura de um livro seu e tenho certeza de que continuará assim.

5 de 5

Resenhas da série:
6. Cidade do Fogo Celestial

(releitura)


Cinema: 1 filme por mês!


Estava lendo a lista de lançamentos deste ano no cinema e, e olha, só tem coisas boas e interessantes. Essa lista me deixou tão empolgado que resolvi criar uma meta para mim mesmo. A cada mês, vou pelo menos uma vez ao cinema para assistir a um lançamento de minha escolha e, claro, logo após, resenharei o livro aqui para mostrar a vocês a minha opinião!

Então, o desafio está lançado pra mim e pra você também, se quiser participar! O lançamento de fevereiro é Cinquenta Tons de Cinza.

22.2.15

Estou de volta!


Essa não é a primeira vez que volto com o blog depois de um grande período de recesso porém, este foi o maior tempo que passei fora do ar. Eu precisava dar uma pausa. Já não tinha mais tanto gosto em escrever por aqui porque parecia ter perdido o ritmo que tinha antes. Eu costumava ler muito, mas nos últimos meses, estive parado, no que parece ter sido a pior ressaca literária da minha vida. Não li muitos livros. Mas também não foi só esse o motivo de ter fechado o blog. Eu não estava mais satisfeito com o formato que seguia, parecia tudo muito enferrujado, muito robótico. Sempre sabia que depois de ler um livro, ver um filme ou terminar a temporada de alguma série, teria que fazer a resenha, e essa constatação não mais me trazia felicidade. Apenas fadiga.

Então, foi bom ter esse tempo para pensar e sentir saudades de estar por aqui. Ao mesmo tempo em que tenho medo, pois se consegui fluir tão bem nessas postagens que fiz com o blog off, temo que quando ele fique aberto novamente, volte a sentir aquela obrigação. E nunca precisei dela para ser ativo por aqui. Na verdade, escrevia muito mais quando encarava tudo mais como uma diversão. E é assim que pretendo (voltar) a ser daqui pra frente. Não vou prometer nada, mesmo que tenha algumas ideias. Acredito que vocês tenham que continuar por aqui para descobrir o que pode vir a acontecer, pois também preciso da sua ajuda. Seguindo, comentando e dando a sua opinião que sempre foi o mais importante.

Espero que apreciem essa minha decisão e continuem no blog :) Até mais, pessoal!

21.2.15

Reli: Cidade das Almas Perdidas - Cassandra Clare (Os Instrumentos Mortais #5)



Em mais uma parte da aventura de Clary e os caçadores de sombras, a garota tenta achar um jeito de reencontrar Jace, desaparecido desde o final do último livro. E que está sob custódia de seu irmão frívolo, Sebastian. É mais que certo que Jace está sofrendo de maus tratos e passando poucas e boas nas mãos do menino Morgestern. Quando o encontra, é tomada por surpresa ao ver que Jace parece bem, muito melhor do que deveria estar, por sinal. Aparentemente, ele está confabulando com seu pior inimigo e a revelação deixa ela e seus amigos em frangalhos. 

Porém, nem tudo é o que parece. Clary descobre que Jace está ligado a Sebastian, de uma forma que quando um dos dois é ferido, o outro recebe a dor e a marca igualmente, porém, sendo Sebastian o "mestre" desta ligação, podendo controlar os pensamentos e vontades de Jace, para se adequarem às suas. Determinada a salvar Jace e encontrar um jeito de matar o seu irmão sem que seja preciso fazer o mesmo com seu amado, Clary se junta aos dois em uma viagem perigosa mas necessária quando tudo o que quer fazer é salvar as pessoas que ama. 

Eu amo este livro e o meu amor perdurou nesta segunda leitura. Cidade das Almas Perdidas é definitivamente o mais sombrio e sério de todos (pelo menos até Cidade do Fogo Celestial). Nele, nós temos a oportunidade de observar de perto os planos e ações de Sebastian e finalmente podemos ter a comprovação de que ele é um vilão muito mal-intencionado e mil vezes pior que o vilão do primeiro arco, seu pai, Valentim.

Sebastian é um personagem sem escrúpulos, que não deixa de surpreender por suas maldades e não possui uma gota de humanidade em si. Será mesmo? Digo isso porque, assim como Clary, somos tentados a questionar as suas intenções. Existe um motivo para ele fazer isso? Suas aparentes boas-intenções com Clary e a preocupação em ser um bom irmão e atender as suas vontades é verdadeira? É justamente esse foco em Sebastian e sua personalidade dúbia que se torna o trunfo do livro. Cassandra criou-o para ser daquele tipo que a gente odeia porque sua natureza é apenas fazer o mal, mas com esse foco em sua possível humanidade, é inevitável não se aproximar e criar afeição por Sebastian, embora ele continue sendo essa pessoa que no passado tomou atitudes absolutamente detestáveis.

Também temos alguma história acontecendo, mas os desvios de enredo tornam-se apenas plano de fundo para a trama de Clary x Jace x Sebastian. Temos o recém-formado grupo de integrantes do Submundo e Caçadores de Sombras, formado por Magnus, Alec, Isabelle e Simon que realizam uma das peripécias mais grandiosas de toda a série e fornecem alguns momentos engraçados.

A escrita de Cassandra Clare está muito evoluída, desde o primeiro livro da série. Aqui ela tem mais habilidade para capturar a tensão e deixá-la durar de forma envolvente durante das páginas do livro, além de cada vez mais enriquecer o universo dos Caçadores de Sombras, com sua mitologia fascinante. Cidade das Almas Perdidas é o clímax de toda a história, temos uma boa preparação de terreno para o desfecho, que promete ser grandioso e épico.

4,5 de 5

10.9.14

Reli: Cidade dos Anjos Caídos - Cassandra Clare (Os Instrumentos Mortais #4)




Faz pouquíssimo tempo desde que terminei Cidade dos Anjos Caídos e, mesmo tendo o lido em dezembro passado, essa releitura foi toda uma nova experiência. Percepções completamente diferentes das que detalhei na primeira resenha lá em 2013. Neste livro, nós temos a quase imediata quebra da situação inicial com o mistério das mortes de Caçadores de Sombras, juntamente com o comportamento estranho de Jace e Simon sendo procurado pelo vampiro chefe da cidade. 

Porém, ao mesmo tempo em que parece ter muita coisa acontecendo, é bem vagarosa a forma como a autora resolve desenrolar tudo isso. Entrelaçando os enredos entre si de uma forma que, sim, é admirável, ela amarra a trama de Cidade dos Anjos Caídos, entretendo-nos com dosagens muito baixas e esporádicas, acredito que um dos motivos para o livro ser um dos menores da série seja o fato de que não há muito desenvolvimento aqui, 

É como se ela tivesse instalado os assuntos que trataria no fim do livro e apenas no finzão mesmo se deu ao trabalho de resolver e, enquanto isso, ir enchendo linguiça com outras coisas. Não que eu não tenha gostado do destaque especial que Maia tenha ganhado, eu acho a história dela uma das mais fascinantes do universo da série, e também gosto muito dessa atmosfera creepy de filme de terror trash com toda aquela história da Igreja de Talto e tudo mais mas pareceu que foi porque a autora estava se segurando para não entregar o clímax muito rápido. Se ela tivesse colocado no papel de uma forma melhor, talvez o livro não evidenciasse tanto isso.

Acontecendo em pouquíssimo tempo, Cidade dos Anjos Caídos, por sua vez, tem um dos desfechos mais incríveis e que te fazem tombar da cadeira da série, se não o mais! Fica claro que quando idealizou tudo, Cassandra Clare queria levar as coisas para um outro nível e mostrar que a série tinha crescido e ela sabia aonde estava levando e, sinceramente, ela não decepciona nesse quesito. Eu lembro de ter ficado muito ansioso para ler o livro seguinte e mesmo estando um pouco saturado da série no momento, minha avidez por saber o final continua. Este volume me encantou da primeira vez e nesta segunda vez, mesmo depois de poucos meses, já foi lido sob um olhar quase completamente diferente. De qualquer forma, o meu amor por Os Instrumentos Mortais continua, assim como essa maratona, já estou partindo direto para o próximo! :)

3,5 de 5

30.8.14

Reli: Cidade de Vidro - Cassandra Clare (Os Instrumentos Mortais #3)


No terceiro volume de Os Instrumentos Mortais, Clary, Jace e o outros personagens da história devem se preparar para uma guerra iminente. Detentor dos Instrumentos Mortais, falta pouco para que Valentim consiga terminar o seu plano e cabe aos Caçadores de Sombras o impedir de faze-lo. Indo contra o desejo de Jace, Clary foge para a Cidade de Vidro em busca do antídoto para sua mãe e, quando as coisas complicam, ela se vê na cidade que muito provavelmente está prestes a se tornar o palco do conflito com Valentim.

Esse é o livro mais enérgico da série. Ele tem muita coisa acontecendo. De uma forma totalmente funcional e organizada, Cassandra Clare coloca muitos acontecimentos, recheando o enredo e deixando-o quase impossível de se largar. Ao termina-lo, é como se tivéssemos acabado de ler um livro que se passa em um ano inteiro, mas que, na verdade, é passado em semanas. Eu amo livros assim e, novamente, terminar Cidade de Vidro foi como terminar uma longa e prazerosa viagem.

Ainda com o conflito de Clary e Jace serem irmãos, ler tudo de novo, me fez lembrar da sensação desesperadora da primeira vez. E também, assim que os personagens novos apareceram, Sebastian, sendo um deles, já estava prestando mais atenção pois sabia da importância que teriam logo após. Dinamizando um pouco mais a história com mudanças de perspectiva, é possível notar o desenvolvimento na escrita de Cassandra Clare. Seu texto passa a ser mais coeso e organizado, além de continuar extremamente interessante.

Sua mitologia, com todo o pano de fundo político, que é muito aplicado neste livro, é uma das coisas que mais me encantam nesta história. O desfecho deste livro não é tão devagar quanto Cidade dos Ossos e tão surpreendente quanto Cidade das Cinzas. Contém o que teve de melhor nos outros livros. Gosto do final deste livro, mesmo que tenha deixado bastante pontas soltas (proposital ou não?) para os próximos livros. A primeira trilogia contém muita coisa boa, alguns erros, porém um aquecimento para o que está por vir para os próximos livros. Já estou lendo Cidade dos Anjos Caídos e não poderia estar mais ansioso para finalmente chegar ao tão esperado desfecho da série!

5 de 5

a

25.8.14

Gilmore Girls, 6ª temporada



E chegamos ao ponto crítico. Com uma ótima porém confusa 5ª temporada, um season finale muito do cliffhanger, eu esperava muito desta temporada. Primeiro porque ficou faltando dar uma melhor aproveitada no personagem do Logan e segundo porque, OMG, eu precisava saber o que iria acontecer. A gente tem uma Rory mudada, um primeiro episódio com Lorelai cheia de sangue nos olhos, ela e Rory sem se falar. E isso perdura por mais de cinco episódios.

Se no começo era interessante ver o quanto a relação delas estava mudada e no quanto de orgulho as duas têm, depois foi ficando cansativo. Eu não entendo porque Rory goste tanto do Logan, mas isso não é lá coisa pra se discutir. Sempre pode-se dizer que o amor é cego. Na verdade, o que mais incomoda é vê-la fazendo coisas que são totalmente contra o que ela era. Transformando-se em uma rica mimada, hipócrita, sem se preocupar com o futuro.

Uma raiva enorme da Rory foi me tomando e mesmo que eu já soubesse que no fim, as coisas não poderiam terminar assim, só torcia para que o jeito como tudo acontecesse fosse convincente e justo. Mais uma vez, ela toma uma penca de atitudes confusas. Mas então, não foi dado o que eu queria? Pelo menos ela voltou ao normal, não é mesmo? Algo que incomoda é os roteiristas terem adquirido uma mania muito insuportável de "resolver" as coisas mas deixar diversas coisas em aberto. Isso é muito irritante! Parece que nada nunca tem fim.

E ainda com aquilo do Logan parecer não ter mostrado totalmente a que veio, nós temos mais um monte de buracos no personagem. Uma hora ele é de um jeito, depois de outro. O roteiro ficou confuso, estranho. E, mesmo com a trama voltando "ao normal", ficou bem difícil aproveitar a volta das garotas Gilmore com todas essas perguntas. Esse foi o último ano dos Palladino no comando, acredito que tenha sido por isso. Parece que ela tentou fazer demais pra depois esquecer ou não ter cabeça pra escrever um desenvolvimento plausível.

A segunda metade da temporada também é bem irritante. Porque um plot aparece praticamente do nada, com um objetivo muito claro e clichê, que mais uma vez torna-se uma bola de neve para no fim explodir no PIOR SEASON FINALE DA SÉRIE até agora. Coisas desnecessárias aconteceram nos últimos episódio e no desfecho, parece que eles ficaram sem assunto e preencheram com outra coisa. Se não fosse a penúltima temporada, abandonaria com certeza. Já comecei a sétima e devo dizer que uma melhora muito grande é notável. A 6ª temporada é aquele estorvo pelo qual toda série tem que passar, só espero que a próxima sirva para tirar esse gosto ruim e terminar com chave de ouro. E que venha a series finale!

3 de 5