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29.7.13

Resenha: Eternamente - Elizabeth Chandler (Beijada Por Um Anjo #6)

Eternamente
Os apaixonados, Tristan, o anjo, e Ivy, a mortal, finalmente conseguem se tocar. Isto só pode acontecer porque Tristan ocupou um corpo, o corpo de Luke. Mas Luke era procurado pela polícia — que não sabe que ele está morto e continua a persegui-lo. Portanto, Tristan torna-se, sem querer, um alvo da polícia. Da polícia e do verdadeiro criminoso, a quem não interessa ver Luke vivo. É preciso dar fim a esta perseguição. O casal precisa esclarecer rapidamente toda a confusão em que Luke se meteu. Mas, ao conviver com pessoas perigosas e chantagistas — e insistir em fazer o que for para ficar perto de Ivy —, o anjo aproxima-se das coisas ruins que podem levá-lo a fraquejar e perecer, especialmente agora, que ele é um anjo caído. Por causa de Ivy, Tristan vem se aproximando cada vez mais das forças mundanas e das trevas — e de Gregory também. Por outro lado, Gregory vem aumentando seu poder, especialmente depois que possuiu o corpo de Beth. E esse desequilíbrio de forças pode acabar em uma triunfante vitória do mal. A não ser que Ivy tome a frente dessa batalha...

Outras resenhas da série:
1.
Beijada por um anjo


Há três anos atrás iniciei a minha leitura desta série e não sabia muito o que esperar. Ainda iniciante na literatura YA sobrenatural, lembro de ter achado o primeiro livro uma coisa magnífica, ainda acho que ele tenha seus méritos e seja de fato muito bom, porém ao decorrer dos anos, ao ler os outros, fui ganhando outras percepções, mais maduras e críticas, talvez. Nós começamos exatamente de onde paramos no bom (porém nem tanto assim), Revelações. Tenho pra mim que o monte de firulas que é o quinto livro serviu apenas para poder fazer um número redondo no fim, afinal, muita coisa poderia ser descoberta somente em um livro. Isso o deixaria mais ágil, certamente. 

Mesmo torcendo pelo casal principal desde o início, Ivy e Tristan foram tornado-se personagens superficiais. O seu romance foi um pouco forçado do quarto livro pra cá, acredito que tenha sido por causa do enfoque maior que a autora deu no sobrenatural e nos vilões. Em Eternamente ainda temos aquele ar superficial e piegas de toda a série, porém, meu coração foi amolecido, porque, afinal, era o último livro da série e eu estava me despedindo dos personagens que por tanto tempo me fizeram ótima companhia. O bromance de Beth e Will mostra-se mais vívido do que o casal principal e eu tenho um pouco de raiva de Kelsey e os outros amigos de Ivy que nunca foram amigos de verdade mas ela os considera como tal.

Gregory está oficialmente de volta e eu fiquei orgulhoso pela ótima construção de personagem, ele é mal na medida certa, tem certa "razão" pelos seus crimes e está sempre um passo atrás dos seus oponentes, é um vilão difícil de se tirar de cena, tanto é que sua batalha contra os mocinhos perdurou por seis volumes. Mesmo que o casal tenha perdido sua força, avalio-os muito bem individualmente. Ivy tornou-se a mocinha forte que todos esperavam e Tristan, fazendo burrada atrás de burrada, mostrou-se humano, suscetível a erros. Lacey é o meu xodó de toda a série, sempre disposta a dizer verdades pra todo mundo e ajudar sempre também, fica na vontade que a autora retorna a esse universo com histórias só da Lacey. Philip, o irmão de Ivy, tem toda uma importância na série e mostra-se forte e amadurecido, embora tenha passado-se pouco tempo nos seis livros.
— Ivy — disse, pousando as mãos nos ombros dela —, podemos criar milhões de teorias sobre a minha redenção, mas uma coisa é certa: o amor é bom. Não existe a possibilidade do meu amor por você me condenar.
A tradução me decepcionou várias vezes, provavelmente porque a Novo Conceito decidiu mudar o tradutor de basicamente todos os livros logo no último, isso ocasionou algumas escorregadas, inclusive um erro enorme que envolve o nome que Ivy chamava Tristan quando ele estava sem sua memória. Nos anteriores ela chamava-o de João, mas nesse, numa lembrança, ela diz que o chamava de Guy, como deve ser na versão original. Sendo o último livro, não posso deixar de falar do desfecho. Se você não quer ver essa parte porque acha que isso vai atrapalhar a sua leitura, pule para o parágrafo seguinte!

Bem, o desfecho te dá a impressão de que a autora quis fugir de todas as previsibilidades de enredo que tinham ela tinha usado nos livros anteriores e nos dá algo bem novo e quase nunca usado em livros YA. Se a forma como ela terminou me agradou? Não, não me agradou. Porém, fiquei com uma sensação de orgulho e admiração ao ver que ela fez do jeito que quis, contrariando o esperado e dando um final bonito e justificável para a série. Realístico e sem muito do romance que compõe os outros livros, não vai agradar a todos, mas foi bem corajosa essa ideia dela e, sim, funcionou.

Para terminar, Beijada Por Um Anjo  é uma série que merece ser lida. Tem suas nuances, partes que não precisavam ter sido escritas e outras, por sua vez, muitíssimo bem escritas e planejadas. O romance não é seu ponto forte, mas a mitologia peculiar sobre anjos que Elizabeth Chandler recriou é algo digno de, no mínimo, curiosidade. Leiam, se apaixonem, odeiem, amem de novo, porque esta série está repleta disso e por um tempo me ajudou a fugir da realidade de forma bastante leve. Recomendo!

Editora: Novo Conceito
Autora: Elizabeth Chandler (Mary Claire Helldorfer)
Série: Beijada por um anjo - Livro Seis (FINAL)
Título original: Everafter
Páginas: 256
4,5 de 5

6.6.13

Resenha: Revelações - Elizabeth Chandler (Beijada Por Um Anjo #5)



Depois que Ivy descobre que Tristan está no corpo do assassino Luke, a vida deles toma um outro rumo. Tristan se esconde da polícia e Ivy não sabe onde localizá-lo. Para piorar as coisas, Beth está cada vez mais distante e estranha, e só Ivy sabe o que realmente está acontecendo com ela. Ao descobrir o paradeiro de Tristan, Ivy não se contém e corre para ele, apesar do risco de ver seu amor descoberto. Para conquistar sua liberdade, Tristan, com a ajuda da namorada, tentará descobrir em que encrenca se meteu o garoto que lhe empresta o corpo. E, na busca de evidências, Tristan e Ivy percebem que existem mistérios sobre os quais eles não têm controle e que podem levá-los por um caminho sem volta. Além disso, a interferência de Tristan sobre o destino de Ivy deverá ser punida duramente. Pode ser que um deles não viva por muito mais tempo.

E mais um capítulo da saga Beijada Por Um Anjo é finalizado. Esse pra mim foi o mais difícil de todos para ler, mesmo que estivesse muito ansioso para saber o que se sucederia após o final cliff-hanging do livro anterior. Se Destinos Cruzados trouxe à tona um novo e ótimo jeito da autora de organizar o enredo, com coisas que ela não tinha tentado na trilogia criada inicialmente nos anos 90, neste livro Elizabeth continua diferenciando-se da forma de escrita dos anteriores, porém, pra mim, ela não teve muito sucesso.


Eu comecei o livro ávido por informações e acabei recebendo uma surpresa desagradável com as cenas mornas que são apresentadas nas primeiras 50 páginas, sim, são bem poucas, mas foram o suficiente para me deixarem entediado e abandonar o livro por alguns meses. Recomecei com muita força de vontade, conseguindo ultrapassar esse número e descobrindo que, sim, existia uma luz no fim do túnel! A trama logo começou a andar mais rápido, com as investigações de Ivy e Tristan, que eram totalmente pertinentes ao andamento da série e foram muito bem escritas e colocadas no texto.
 Enquanto caminhava até o carro, Ivy lembrou-se de seu padrasto dizendo que o amor da mãe dela despertava o melhor nele. E o que acontece quando a pessoa que ama desperta o mentiroso que há dentro de você?
 Mas que escolha tinha? Ivy perguntava a si mesma. Quando se luta pela vida e pela liberdade de uma pessoa, quando essas coisas foram injustamente tiradas, o limite entre o certo e o errado parece se misturar.
Se, por um lado, eu gostei da face C.S.I do casal principal da saga, não posso dizer o mesmo sobre as cenas de romance. Beijada sempre foi piegas e clichê, mas neste livro, a autora pareceu estar colocando aquelas milhares de cenas de beijos e declarações de amor eterno apenas para preencher a obra, fazendo com que ficassem um pouco frias e superficiais. A relação de amor e ódio se instaurou quando fiquei com lágrimas nos olhos por uma cena em que (spoiler) Tristan reencontrava o seu pai (/spoiler).

Uma das personagens mais notáveis deste livro é a Beth, sempre presente em acontecimentos arrepiantes que, sem dúvida, reforçaram o aspecto paranormal/sobrenatural deste livro. Ela foi a grande salvação, não posso dizer o mesmo de Will que já teve muita importância no passado, mas agora só faz o papel do cara chato que foi dispensado pela namorada e é sempre o último a entender o que está acontecendo. Quanto aos personagens, eu gosto muito da Dhanya e os outros são bem descartáveis e aparecem e desaparecem com uma facilidade incrível. Gostaria de dar destaque a um outro, mas aí seria um spoiler danado. Então, deixa pra lá.

De toda a série, Revelações não foi o melhor livro até agora, sua última página me deixou surpreso e quando fui virar, não tinha mais nada. Ou seja, um final assim como todos os outros da série, bem "acabo de descobrir uma coisa muito importante e fim". Neste, quando tudo parecia estar mais ou menos acertado, a gente se surpreende com dois capítulos com ação e um provável novo conflito, que me deixou ansioso para ler o capítulo final, mas nem tanto assim. Recomendo a leitura e espero que o próximo termine com chave de ouro essa série da qual tanto gosto!


Editora: Novo Conceito
Autora: Elizabeth Chandler (Mary Claire Helldorfer)
Série: Beijada por um anjo - Livro Cinco
Título original: Everlasting
Páginas: 317
3,5 de 5

5.8.12

Na Minha Caixa de Correio #33


Eba! Mais um Na Minha Caixa de Correio no ar com livros super legais que tenho pra mostrar. Espero que gostem e ignorem a inutilidade do vídeo de entrada em P&B em que falo a hora em que gravei o vídeo. Acho que foi um aviso, caso eu ficasse lerdo em dizer e falar as coisas por causa do sono... HAHA. Enfim, vejam o vídeo:


Livros recebidos:

Estou Com Sorte por Douglas Edwards (Skoob | Submarino)
Dizem por Aí por Jill Mansell (Skoob | Submarino)

19.7.12

Resenha: Belle - Lesley Pearse

Belle Editora: Novo Conceito
Autora: Lesley Pearse
Título original: Belle
Páginas: 560
Tempo de Leitura: 5 dias

O livro Belle conta a história da protagonista homônima. Ela sempre viveu num bordel, mesmo sem saber o que isso significava ao certo, e em um fatídico dia, acaba presenciando a morte de uma das prostitutas do bordel gerenciado por sua mãe. Belle é raptada no dia seguinte pelo assassino da garota de programa e é vendida para um bordel em Paris, ela agora terá que ser forte e se adaptar ao novo mundo, bem diferente do mundo em que ela vivia antes. 

Eu não vou contar mais, a sinopse da Novo Conceito diz muitas coisas mais, porém, só o que disse aqui já preenche umas cem páginas do livro e com a sinopse, perderia graça ler até a página duzentos. Meus sentimentos foram mistos com esse livro, porque ele parece dois distintos em um só. 

Se da primeira página até a 150, você fica preso à história, querendo saber mais e mais. Só devorando, a partir desta página. O ritmo fica bem lento. Como a história passa a ter dois cenários em determinados momentos, eu recomendaria a autora que fizesse capítulos em que esses dois cenários são retratados. Belle tem capítulos inteiros com Mog, Jimmy e Annie enquanto você ainda estava curioso para saber o que vai acontecer com a garota. 

Mesmo assim, o desfecho é muito bem escrito e no fim do livro, depois de ler todas essas páginas, sua sensação é de dever cumprido. Recomendo que cheguem até onde cheguei e não se importem se o tédio se instalar em algumas páginas, vai passar e sua recompensa será muito boa! O livro é super recomendado, mas não está na lista dos melhores que já li. É apenas uma boa leitura. 

4,5 / 5

4.7.12

RESULTADO: O Sonho de Eva - Chico Anes


Finalmente! Esse resultado saiu um dia a mais do que o previsto, mas já tinha me explicado no twitter ontem. Minha internet estava horrível e não pude nem publicar o resultado, muito menos comentar nos parceiros, por essa semana, o que devo fazer em breve! Agradeço muito à todo mundo que participou e os comentários que eram da forma como queria, com a sua opinião sobre a resenha e o livro, foram muito legais! Um "obrigado" a todo mundo que gostou da resenha e elogiou! Abaixo, o resultado:


Pelo site Random.Org em sorteio realizado às 13h24 de hoje, dia 4 de julho, o grande vencedor ou a grande vencedora foi...


Então Gabi Arthur, parabéns! Você tem até 48 horas para enviar um e-mail para o endereço teu_mas@yahoo.com.br e informar seu endereço completo com CEP!

17.6.12

Resenha: Garotas de Vidro - Laurie Halse Anderson

Garotas de Vidro
Editora: Novo Conceito

Autora: Laurie Halse Anderson
Título original: Wintergirls
Páginas: 272
Tempo de leitura: 3 dias

Garotas de Vidro é um livro tocante e realista. Eu gostei muito do que li nessas duzentas e poucas páginas. Simplesmente porque tinha uma grande expectativa e ela foi muito bem superada pela autora.

O livro conta a história de Lia, uma garota que acaba de perder a ex melhor amiga, Casse, que morreu em condições misteriosas, sozinha em um quarto de hotel. O que mais perturba a garota é que Cassandra lhe ligou 33 vezes antes de morrer.
O Objetivo Número Dois é 43 quilos, o ponto perfeito de equilíbrio. Com 43 quilos, vou ser pura.
Lia então começa uma pequena viagem em busca de respostas, ao mesmo tempo em que começa um processo de transformação negativa de si mesma, piorando seu estado de anorexia e auto-mutilação.

O livro tem um escrita bem parecida com a de Estilhaça-me, até mesmo as palavras riscadas estão presentes no livro, assim como palavras de impacto e pouca preocupação e contato com regras gramaticais e concordância. As palavras repetidas, riscadas e usadas com impacto por Lia, para mim, só melhorou a fazer com que sua loucura e doença se tornasse mais real.

Aliás, não tinha melhor forma de Laurie nos conectar diretamente com a personagem. A leitura em primeira pessoa e sem preocupação com erros, acaba criando um ritmo rápido e confortável para o livro que o impossibilita de parar de ler, querendo saber cada vez mais sobre a história. O enredo é um grande trunfo, pois seu fôlego admirável ajuda o leitor a fazer uma leitura mais rápida e bem mais prazerosa.
Só porque me servi não quer dizer que vou engolir aquilo tudo. Sou forte o bastante para fazer isso, o cheiro das batatas é tão bom fique forte, vazia vazia, o cheiro das batatas forte/ vazia/ forte/ respire/ finja/ segure a onda.
A diagramação da Novo Conceito, mais uma vez está muito boa. Eu adoro essa fonte (a mesma usada em Julieta Imortal e Não Sou Este Tipo de Garota), a capa é linda demais e os capitulos terminam e começam em uma mesma página, ajudando para que a obra se torne algo impossível de se parar ou ler de pouco em pouco. Você lê cem páginas por dia e acaba terminando mais rápido do que pensava.

Ler na primeira pessoa, nas primeiras páginas deixou o livro um pouco confuso. A gente ainda não sabe sobre as alucinações de Lia e não consegue entender suas palavras. Eu não estava gostando do livro até essa parte, mas depois que nos acostumamos, dá pra diferenciar muito bem realidade de alucinação e acaba sendo uma boa ideia da autora para retratar uma garota doente.

E, se você está preocupado de o livro ser muito pesado ou ter um enredo cansativo. Posso lhe tirar todas essas preocupações ao afirmar que, mesmo tendo acontecimentos e uma trama toda séria e meio adulta, Garotas de Vidro tem partes muito fortes e outras partes mais leves que não deixam você se cansar da história. Se pudesse dar um adjetivo, daria perfeito!

Terminando, não tenho muito mais o que falar deste livro. Eu só posso dizer que recomendo demais porque ele trata de um tema, o qual já estamos cansados de saber sobre, mas pouco usado em livros YA. Foi uma atitude corajosa por parte da autora e que deu muito certo. Está aprovadíssimo e assim como Lia aprende no livro e nós tomamos como lição, a perfeição é ser imperfeito.
— Juro que vou ser a garota mais magra da escola, mais magra que você.
Cassie arregalou os olhos quando o sangue fez uma poça na minha mão. Ela pegou a faca e cortou a mão também.
— Aposto que vou ser mais magra que você.
—  Não, eu não quero apostar nada. Vamos ser as mais magras, juntas.
—  Tá, mas eu vou ser mais magra.
Nós esfregamos as mãos e misturamos nosso sangue porque era proibido e perigoso. As estrelas giravam sobre nós e os fogos queimavam. A lua ficou de guarda enquanto as gotas de sangue caíam, sementes descuidadas que chiavam quentes sobre a neve.
10/10
Justificativa: Um livro tocante e diferente. Impossível de largar.

1.3.12

Eu ♥ Capas: #004

Uma capa diz muito sobre um livro, assim como influencia na hora da compra. Veja aqui as capas que eu ♥.
A edição dessa semana é superespecial, eu mostro aqui as capas dos futuros lançamentos da Editora Novo Conceito, muito querida entre os leitores e blogueiros. Tem a capa brasileira de Shatter Me e o lançamento nacional Garota Replay!

Presentes da Vida Cruzando o Caminho do SolEstilhaça-meGarota Replay

E aí, gostaram das novas capas?

26.2.12

Resenha: Um Mundo Brilhante - T. Greenwood


Um Mundo Brilhante
Editora: Novo Conceito
Autor: T. Greenwood
Ano: 2012
Título Original: The Glittering World
Páginas: 336
Tempo de leitura: 12 dias

Eu nunca pensei que Um Mundo Brilhante seria tão bom assim. Quando a editora avisou que estava me mandando seu lançamento, eu não me animei muito para ler o livro. A capa era linda, mas não me parecia meu estilo de leitura.

As sinopses da Novo Conceito nunca fazem jus aos livros, muito menos esse subtítulo. Mas, de fato, as aparências enganam e este livro acaba se tornando a melhor leitura desse primeiro semestre por enquanto, já comecei o ano bem.

Tudo começa na manhã após a noite de Halloween, numa cidade fictícia chamada Flagstaff, o professor e bar-man Ben Bailey encontra no quintal de sua casa um garoto morto, de etnia indígena e da tribo dos navajos, ele sangrou até morrer e esse é o pontapé inicial para uma rede de acontecimentos e também para começar a história do professor.
De qualquer modo, ninguém espera sair pela porta da frente em um domingo para buscar o jornal e encontrar uma pessoa morta na calçada.
Ben tem uma noiva, Sara, os dois não vivem como um casal de verdade faz algum tempo e ele conta mentiras sobre onde está e o que está fazendo, apenas por mentir mesmo, uma vez que sempre foi fiel ao seu relacionamento. Mas a morte de Ricky Begay - o garoto índio que ele encontrou no quintal -  faz com que ele se aproxime secretamente da irmã dele.

Os dois criam uma relação perigosa e extraconjugal, mas Ben não se sentia fazia meses, feliz, apaixonando-se por Shadi, a irmã de Ricky. Ao mesmo tempo em que tentam descobrir as pessoas que executaram o garoto e como aquilo foi acontecer, a vida de Ben e Sara começa a se preparar para uma coisa bem maior (que não posso contar, senão vira spoiler) e seu relacionamento com Shadi vai por água abaixo, precisando Bailey de ficar ao lado de sua noiva.

Eu não sei se você entendeu muito dos relacionamentos e acontecimentos desta sinopse, porque me preocupei em não detalhar muito as coisas. Afinal, o destaque de Um Mundo Brilhante foi que comecei totalmente no escuro, sem muitas expectativas com ações dos personagens e desenvolvimento do enredo e me impressionei positivamente com tudo, descobrindo com o virar das páginas.
Há muito tempo, tudo estava inteiro. Ben se lembrava daquela época como se ela pertencesse a algum outro Ben. Um Ben feliz, sorridente e distante. Uma vida parecida com um filme Super 8 tremeluzente, projetado em um lençol estendido na parede de um porão.
A história deste livro começa bem rotineira, um pouco dramática, mas com sintomas de normalidade, um casal em crise, um acontecimento que pode desencadear várias outras coisas, mas você realmente não sabe o que esperar, porque na trama de Greenwood tudo é bem real e você sabe que, na vida tudo é possível, então fica à espreita na espera de alguma coisa que fuja dessa normalidade do início.

A partir de algumas páginas, no meio, sendo muito bem conduzido até esta parte do livro, começo a perceber que o enredo vai muito além disso. A autora reserva muito mais para nós quando começa a incorporar neste livro uma trama policial e um pouco de drama, e você fica só lendo as páginas ferozmente aguardando pelo que mais pode acontecer nessa história quase real.

O final do livro é bom, embora não possa classificá-lo como surpreendente. Será que posso dizer? Mas, só sei que não termina com um final feliz. Para mim, a última página foi perturbadora, a lição que a autora tenta passar no fim, concluindo tudo, tem aquele sentimento de "Hã? Já acabou", eu pensei em ficar com raiva, reclamar do final.
— Talvez eu possa esperar pelo seu pai aqui  — disse ele.
Sara riu.
—  Acho que não.
—  Venha conosco Ben, vai ser divertido.

Mas isso só reforça o quão genial é a obra de Tamy, ela chega de mansinho, bem sutil, afunila acontecimentos, falas, alterna com momentos de calmaria, para atingí-lo com uma avalanche. E ver o que acontece com Ben no final foi bem triste, porque ele - apesar de ser aquele tipo de personagem que faz coisas que não são de agrado geral - é digno de torcida.

Agora, quanto aos personagens. Poucas vezes eu torço ferozmente para que um personagem ganhe um final feliz no final e Ben foi um desses. O mero professor tem uma guinada terrível em sua vida, apesar de só ganhar coisas boas, ele percebe que o mundo que ele está vivendo não é ao qual ele pertence, mas não pode mais sair, afinal é adulto e essa é a vida real!

O cruel é que, mesmo Ben fazendo coisas que as mulheres leitoras provavelmente não concordem, como trair a esposa, o cara só fez as coisas para a própria felicidade. Foi angustiante ler, no clímax do livro, Bailey todo feliz com o futuro, com o que planejava e por ter descoberto um novo amor e ser atingido por um balde de água frio, encerrando com todos os seus sonhos e sua tentativa de finalmente ser feliz por completo.

Algo que me incomodou um pouco na personalidade dele, foi que Ben fica numa indecisão tremenda. As coisas seriam bem diferentes se ele não mentisse sobre Shadi para Sara, se ele tivesse dito desde o começo, a pobre da Sara não teria pensado o tempo todo que ele a amava e teria se tocado de que ele estava interessado na índia.
E pensou na sua vida. Sobre como ela era limpa e brilhante. Como tudo era cintilante. E dourado.
Só que, a partir de um momento, fica quase impossível que Ben largue Sara, suas mentiras desnecessárias só fazem que ele se dá mais mal no futuro, mesmo que, no começo, tivesse boa intenção nos encontros com Shadi. Não que não tivesse depois, mas ele sempre juntava a fome com a vontade de comer. E se encontrava com ela para poder contar as novidades sobre a morte do seu irmão, como também para trair sua noiva.

Os personagens, na minha opinião, são bem reais. Não deu para sentir raiva de Sara, já que ela foi apenas bombardeada com as coisas da vida e nunca planejou o que chega a acontecer com ela, os personagens realistas fazem com que a trama seja mais realista dando consistência e mais emoção ao livro, fazendo-nos pensar que quem sofre tudo isso sejam pessoas reais.

A capa deste livro é um absurdo de linda, verniz localizado e todo esse brilho. A diagramação é simples, mas a moleza e a leveza dos livros da Novo Conceito são apaixonantes, dá para lê-los sem precisar ficar apoiando nas pernas ou na mesa, só que mesmo assim eu cansei, porque, Um Mundo Brilhante é um livro para se devorar, pois não dá para dormir com todo esse enredo maravilhoso.

A escrita da autora é bem simplória, ela tem muito êxito na narração em terceira pessoa, uma vez que gosta de contar histórias anteriores ao livro de alguns personagens especiais, assim como sabe resumir algumas coisas que não foram passadas totalmente no livro de forma que nos encontramos imaginando a fala e o jeito como aconteceu mentalmente.

Concluindo, eu recomendo bastante esse livro se você gosta de tramas realistas, confesso que pouco tinha contato com esse tipo de livro que não chega a ser semelhante aos livros do Nicholas Sparks porque, apesar de tudo, o romance não é a base central de tudo, é só o que liga os personagens principais. O livro de T. Greenwood vai muito além do puro romance incorpora a questão do ódio étnico que foi muito bem abordada, por sinal. Recomendo bastante, se gosta desse tipo de livro é um prato cheio!
— Duvido que isso aconteça.
— Por quê? — perguntou Ben, embora soubesse qual era o motivo. O que é que Sara havia dito a Melanie? O que ela sabia?
— Você cavou a sua cova, Benny — disse Melanie, dando-lhe um tapinha nas costas e sorrindo para ele, com os olhos cheios de pena. — E acho que agora vocês dois estão deitados nela.
10 / 10
Justificativa: Um livro espirituoso, de bom enredo e realista.

15.12.11

Resultado: Promoção — Bobagens & Livros de layout novo!


Tivemos poucas participações, mas mesmo assim, agradeço muito a todos que participaram e torceram para ganhar Noites de Tormenta, assim como comemoraram o novo layout do blog. Eu premiaria a todos, mas como, infelizmente, só posso dar o livro a uma pessoa, tive que fazer um único sorteio. Veja o número sorteado:


E o sortudo (a) vencedor foi....!


Parabéns, Renan!
Você tem até 48 horas para me responder em um e-mail, estando ciente de ter vencido.
endereço de e-mail: teu_mas@yahoo.com.br

8.12.11

Resenha: A Força do Amor (Beijada por um anjo #2) - Elizabeth Chandler

Resenha do primeiro livro da série, Beijada por um anjo, no blog!


Editora: Novo Conceito
Autor: Elizabeth Chandler
Ano: 2010
Título Original: The power of love
Páginas: 256
Tempo de leitura: 2 dias

Eu fiquei ávido assim que a Novo Conceito me enviou Beijada por um anjo #2 - A força do amor, eu estava muito ansioso, porque a minha leitura do primeiro tinha sido muito boa e tinha aprovado todos os elementos do livro, seus personagens e o entrosamento da autora com a história.

O segundo livro da saga, mostra Ivy um mês depois da morte de Tristan, seu namorado no livro anterior e agora um anjo. Ela tem que lidar com a dor da perda, ao mesmo tempo em que quer tentar levar uma vida normal, apesar de todos esses acontecimentos. Estando sempre perto de sua família e seus amigos.
— Sinto muito por não termos um trampolim alto — disse Eric.
Ela ignorou a provocação. — Mas não deixa de ser uma bela piscina.
Ao mesmo que tenta repelir a aproximação de Gregory, seu meio-irmão e não olhar nos olhos conquistadores de seu melhor amigo, Will, ela começa a ter sonhos com a morte da mãe de seu irmão postiço, conciliados com a noite do acidente em que perdeu seu grande amor. Teria tudo isso uma ligação? Do outro lado da vida (literalmente) está Tristan.

O ex-nadador e anjo está crente de que sua missão para poder ser liberto é salvar Ivy, mas do quê e de quem? Ele tem de ajudá-la, mas ainda tem um desejo contínuo de poder tocá-la e estabelecer contato por uma última vez, utilizando outras pessoas, já que não pode chegar até ela, uma vez que Ivy não mantém mais sua crença nos anjos.

Este livro é uma leitura rápida e menos leve do que o anterior. A escrita de Elizabeth Chandler dá uma evoluída aqui e você nota uma coisa diferente do primeiro, parece que ela consegue melhor ligar os pontos e continua com o dom de manter o leitor preso ao mistério que cria em seus livros, sempre irresistível e sabe usar as palavras certas para te tocar.
Foi direto para dentro da casa e esperou que ela voltasse da festa. Também ia esperar por Gregory. Enquanto não chegava ninguém, ficou imaginando qual das mentes teria a pista de que precisava  — e como, pediu em oração, poderia se comunicar com Ivy. Por favor, falem para mim.
Uma coisa que dificultou a minha leitura foi a continuidade das cenas, não há uma sinalização maior quando a cena é mudada e você tem prestar bastante atenção para poder ver que a fala não é do personagem que você acha que seria e não se passa no lugar onde estava na linha anterior. Algo que está presente nos dois livros da série, por enquanto e, se continuar nos próximos, vai ser uma coisa bem ruim.

Mas ela usa essa continuidade para manter um mistério, você sabe que ele está se formando, quando as cenas passam a ser mais cortadas, ou simplesmente acontecem coisas simples como uma ida ao shopping e uma fala indevida entra em cena. Ivy sabe muito bem não ficar maluca enquanto tem algo acontecendo ao seu redor e consegue sempre estar no lugar certo na hora certa, ou o contrário.

Algo que notei e gostei muito, foi a maior presença do terror neste livro. Beijada por um anjo tinha me deixado com um gosto de suspense, mas algo muito relacionado à romance piegas e almas gêmeas. Agora, A Força do Amor me deixou com gosto de terror e um suspense muito mais elaborado, cada vez com mais detalhes e com mais pistas sobre quem possa ser Eric, na verdade e quem invadiu a casa de Ivy.

O romance foi algo que me encantou no primeiro livro que está carregado só disso, pois trata-se de Ivy conhecendo Tristan e os dois se apaixonando e se aventurando nesse amor, mal sabendo que algo terrível estava prestes a acontecer. Elizabeth usou uma peneira e tirou muito deste livro, ele ficou mais sombrio e pouco romântico e... Tenho que dizer, gostei muito do novo casal, mas tenho minhas dúvidas em relação à Gregory.
Havia um bilhete ao lado das rosas. Não era fácil decifrar a caligrafia irregular de Gregory, e as lágrimas faziam com que ficasse ainda mais difícil. Enxugou os olhos e tentou novamente.
O casal Ivy e Tristan está separado, desta vez, e a autora criou uma dinâmica perturbadora e ao mesmo tempo genial para dividir bem tudo isso. Alguns capítulos são meio-a-meio e outros tratam-se inteiramente e individualmente dos personagens principais, de cada vez. Mas não é disso que estava falando, a dinâmica é colocar Tristan descobrindo as coisas e com muita desconfiança de certas pessoas e Ivy lá, dormindo com o inimigo, sem ser literal.

Adorei também a aprofundada nos poderes que ela deu, deu para ver mais o que anjos podem fazer, como por exemplo entrar na cabeça das outras pessoas e tudo isso é explicado e mostrado ao leitor à medida que Tristan vai aprendendo com Lacey, um outro anjo muito atrapalhado que antes era uma atriz muito famosa e excêntrica de Hollywood.

Como Ivy e Tristan não estiveram juntos no livro todo, a história pôde dar mais espaço para os personagens secundários, igualmente fascinantes e muito bem criados como Philip, Gregory, Eric, Beth, Andrew e Caroline que não aparece devidamente, mas é a grande parte do mistério criado por Elizabeth Chandler. Juntos, eles criam um enredo e história irresistíveis.

Mais uma vez, a Editora Novo Conceito não decepciona na diagramação, suas folhas têm um cheirinho ótimo, são mais grossas e o livro é bem mole e leve. Perfeito para a leitura em lugares que não são o conforto de sua casa. A capa, por sua vez, tem tudo  a ver com esse livro, essa borboleta aparece até em uma cena do livro, por intermédio de Tristan e você só vai saber se ler.

O fim do livro é angustiante, assim como foi o Beijada por um anjo #1, Elizabeth te mantém atento com coisas incríveis e misteriosas acontecendo e só final mostra a cena gancho para o próximo livro. Com algumas revelações necessárias e dúvidas que te fazem arrancar os cabelos de tanta ansiedade. Preciso urgentemente de Almas Gêmeas.

O segundo capítulo é bom, em alguns aspectos, melhor do que o primeiro, já em outros, o primeiro chega a ser melhor. Gosto dos clichês, gosto do romance, gosto do mistério, gosto do estilo de escrito, gosto do jeito de distribuir o enredo. Beijada por um anjo acaba por ser uma das minhas séries preferidas no quesito YA/ Sobrenatural/ Anjos e também acaba por ser uma das melhores leituras de dezembro. Indico com orgulho à você. 
Nos últimos quatro dias, Ivy tinha passado o mínimo de tempo possível com Gregory, encontrando-o apenas casualmente nas horas das refeições e, às vezes, no corredor. Sempre que seus caminhos se cruzavam, tomava cuidado suficiente para não prolongar a conversa. Quando ele procurava por ela — e quanto mais ela o evitava, mais ele a procurava [...]

29.11.11

Na Minha Caixa de Correio #021


Mais uma vez, demorei um século para gravar a continuação da seção. Decidi que teria que gravar de qualquer jeito, então acumulou tudo e o vídeo ficou escuro mas com uma edição chinfrim do Movie Maker. De qualquer forma, a intenção é finalmente mostrar o que ando recebendo. PS: Eu mostrei novamente o kit de Beijada por um anjo, desculpe-me.


O quê recebi:

— [Kit Duplo] Beijada por um anjo 4 (Elizabeth Chandler/ Novo Conceito)

Quem ou o quê eu citei:


Trilha Sonora:


Se gostou do vídeo, comente!

22.11.11

Indicação: Confissões de um turista profissional - Kiko Nogueira



Confissões de um turista profissionalEditora: Novo Conceito
Autor: Kiko Nogueira / Jota Pinto
Ano: 2011
Título Original: Confissões de um turista profissional: Tudo o que você queria saber sobre viagens e o que os guias jamais vão contar
Páginas: 94
Tempo de leitura: 1 dia

Decidi não fazer uma resenha deste livro. Porque não é o assunto principal do blog (Livros YA, jovem adulto) e porque não é bem um livro com enredo, início, meio, fim e personagens para se falar sobre.

Confissões de um turista profissional trata-se de um livro crônicas de um alter-ego de Kiko Nogueira, Jota Pinto, que fala sobre o lado de ruim das viagens, de forma ácida e divertida. Essas crônicas já foram publicadas em revistas e todas elas estão reunidas nesse livro.

Eu gostei muito do livro, chegou como uma surpresa para mim e, por ser bem pequeno, resolvi dar uma lida rápida. Em um dia, tinha terminado e gostado muito. Kiko traça uma personalidade de seu alter-ego, em muitas crônicas, pode-se observar a continuidade das opiniões de Jota. O que ele acha, acha mesmo, e isso está impresso na coletânea. 

Recomendo a leitura, para quem quer algo rápido e que te faça arrancar alguns risos. Não cheguei a dar gargalhadas pois não entendo quase nada de turismo e viagens, mas não precisa ser um expert para se entender do que o autor fala. Comprem, deem de presente e leiam Confissões de um turista profissional, uma diversão leve e rápida. Você vai adorar!
Em todo o Brasil, principalmente no Nordeste, há um artigo que é supervalorizado. Trata-se do artesanato. Vendido como "produto típico da região", "feito por gente da região", esse negócio movimenta milhões. Claro que tem gente série metida nisso. Mas existe também uma indústria que fatura em cima dos incautos, apelando para aquela vaga noção de "Brasilidade" — a qual, naturalmente, varia de Brasil para Brasil.
indicado 
          — nível 5
(você precisa ler)

1.11.11

Resenha: Julieta Imortal - Stacey Jay

Julieta imortal
Editora: Novo Conceito
Autor: Stacey Jay

Ano: 2011
Título Original: Juliet Immortal
Páginas: 237
Tempo de leitura: 15 dias

Julieta Capuleto não tirou a própria vida, assim como nós conhecemos. Ela foi morta pelo amado e amante eterno, Romeu Montecchio, para conseguir a imortalidade e acabou se tornando uma imortal também. O trabalho de Julieta é combater os Mercenários, um grupo de almas que corrompe os humanos, contra o amor.

E agora, mais uma vez, ela está cara a cara com seu inimigo Mercenário, Romeu, e tem de salvar mais duas almas gêmeas. Mas, e se ela quebrasse as regras? E se apaixonasse pelo homem que tem de proteger junto a outra mulher? Seria possível ela amar novamente? Pode uma pessoa ter duas chances no amor?
Ela lutará pela luz, e ele pela escuridão / Lutando por séculos pela doce centelha do amor / Sempre que duas almas se amarem de verdade, vocês os encontrarão / A corajosa Julieta, e Romeu, o desertor. (Cântico Italiano Medieval, autor desconhecido)
No início, começar a ler Julieta Imortal foi um desafio para mim. Não conseguia encarar o universo da autora, não conseguia pôr na cabeça que o Romeu todo romântico da história de Shakespeare tivesse matado a Julieta. Esse é o grande trunfo de Stacey, uma obra simples que beira à genialidade, mas que por alguns pontos pode perder um brilho original.

O livro não mostra, em parte alguma, a cena completa da morte de Julieta, quando ela mesma se apunhalou ou deixa claro que isso não aconteceu. Como disse, de uma forma simples, a obra é genial, com uma ideia perfeita mas que foi seriamente mal aproveitada para poder dar lugar ao típico cenários dos Young Adult de hoje, o high school (ensino médio).
Morrer é fácil. Voltar é muito mais doloroso.
Para mim, pelo menos para mim. A história de Romeu & Julieta sempre foi um sinônimo de poesia, sutilidade e romantismo. O livro traz um pouco disso em seu contexto e mitologia, mas peca muito por mostrar demais cenas de colégio e normalizar as características dos demais personagens. Não que eu quisesse-os caricatos, mas noto alguns desvios.

Por exemplo, Romeu é o cara mau que não liga para nada, cruel e imortal. Não combina com ele ter de voltar ao colégio, Julieta teria que voltar para fazer o papel de sua hospedeira humana, Ariel, mas por que diabos Romeu conviveria com os adolescentes quando podia agir de uma forma maior, fora da escola? As cenas do teatro e do depósito me fazem lembrar de Não sou este tipo de garota.
O amor verdadeiro não pode competir com a queda. É uma escalada pela face rochosa da montanha, um trabalho árduo, e a maioria das pessoas é egoísta ou tem medo de tentar. Em seus relacionamentos, poucas chegam ao ponto de chamar a atenção da luz e da escuridão, de comprometer-se com o amor apesar dos obstáculos, ou tentações, que surgem no caminho.
Também não gostei do enredo devagar, você tem a mínima impressão de que Stacey colocou a escola só para tapar os buracos da falta de acontecimentos, ficamos presos a cenas mal distribuídas que poucas vezes conseguem nos deixar com o coração na mão, pois acontecem, dão o susto, e logo depois se acalmam voltando a uma mesmice, um drama de Ariel, Julieta, Ben e Romeu. Ah, e também tem a Gema.

Por outro lado, tenho muito o que agradecer aos personagens princupais. Julieta/ Ariel e Ben. Os dois têm um romance lindo, proibido, assim como foi com Julieta antes, só que esse amor ultrapassa as barreiras da morte e da vida. Ela foi designada a protegê-lo, manter a chama do seu amor pela melhor amiga, Gema, acesa. Mas, Julieta acaba se apaixonando por ele e ele por ela. Mas isso não pode acontecer, se Julieta deixar que sua melhor amiga fique de fora do romance, ela pode morrer ou virar uma Mercenária.

Olhando por esse mesmo lado, o livro levanta a questão do mal e do bom. O conflito, por sua vez, está sempre ali, prestes a estourar o que cria um clima ótimo de drama, romance e a poesia que esperava desde o início, todas as coisas vão se justificando, a trama vai se afunilando, os acontecimentos ficando mais rápidos, tudo vira um caso de vida ou morte. Tudo acarretará em algo muito maior. Deve Julieta continuar com o perigoso amor a Ben?

Stacey fala sobre a segunda chance no amor, o que — creio eu — seja um retratamento de sua vida. Já que ela é esposa de um homem antes viúvo. Ou seja, a todo momento, a Julieta fala sobre amar duas pessoas em uma só vida. Ao mesmo tempo que se pergunta a existência do amor ou se amou de verdade Romeu o que, definitivamente, não é a mesma coisa que agora sente por Ben.
— Não existe inferno — diz ele, apertando os lábios. — Há apenas a Terra, as sombras e os lugares para onde vão os espíritos superiores, onde nunca nos deixarão entrar.
A partir do momento em que percebi as questões implícitas, passei a olhar com bom tom para Julieta, além de poética, a obra se mostra romântica e individual. Ao mesmo tempo, parece com a verídica história de Julieta. Fazendo-o acreditar que a maior história de amor de todos os tempos é uma farsa, assim como diz o subtítulo.

A autora nos mantém grudados em sua trama, gostando ou não dos elementos que ela escolhe para tratar no livro. Stacey deixa o leitor louco para saber o desfecho desta história incomum e genial. A autora escreve sem resumos, deixando cada palavra penetrar em nossa mente, fazendo-nos pensar em nossas decisões e nas decisões dos personagens impostos na trama.

Os personagens são o grande trunfo da trama, mesmo que criem um drama adolescente, gosto muito de suas personalidades, distintas e justificativas. Como se fossem pessoas de verdade, cada tem sua forma de reagir ao que Stacey cria. Tem a Gema, de quem não gostei muito, mas adorei o desfecho da personagem, tem Julieta e Ben, casal pra quem sempre torci e Romeu que me fez odiá-lo com todas as minhas forças.
Eu arranco o carro sem olhar para trás. As rodas giram em minha mente. Se ele mantiver a palavra, tenho 24 horas para ajudar Ben e Gema em minha missão: se apaixonarem e ficarem livres de Romeu. E quando terminar, tudo acabará. Talvez os Embaixadores me mandem de volta ás sombras, ou talvez meu antigo corpo me leve de volta às sombras, ou talvez meu antigo corpo me leve com ele para nunca mais voltar. De qualquer forma, estará tudo acabado.
A diagramação é bem simples. A capitulação tem um ar medieval e as letras são de fonte de Não sou este tipo de garota, a margem é um pouco afastada demais e a capitulação muito simples. Deixou a desejar. Logo com a capa, eu adorei. Dá o ar que me fez querer esse livro desde que bati meus olhos nele. Realmente encantadora.

O desfecho da obra é impressionante, tudo entra em lugar, e precisa-se prestar bem atenção para entender o que aconteceu a todos, é bastante complexo. Termina como eu queria, como pensava que o livro seria, mas depois de tudo, percebi que a escola e os outros elementos deram á obra um misto delicioso dos mundos. O que nunca tinha lido antes. A minha recomendação é urgente! Leiam este livro!
A morte é como um sono longo e silencioso em uma sala fria. Fria e úmida, com o cheiro de pedra velha e de assassinato no ar.

5/5