28.4.14

SONHO ADOLESCENTE, de Henri B. Neto

Sonho AdolescenteEssa é uma história bem curta (trata-se de um conto da antologia Noite Feliz), por isso sua resenha consequentemente será bem breve também. Adquiri-o porque estava de graça na Kindle Store e o li bem rapidamente, como a premissa da antologia manda, Sonho Adolescente tem as festas de fim de ano como pano de fundo, contando a história de Thalia, uma garota de 21 anos que escreveu um best-seller para jovens que está prestes a virar um filme e pensa ter tudo o que deseja, até chegar de uma viagem, na noite de ano novo, e encontrar seu namorado traindo-a. Dando um merecido fora nele, ela sai de casa, atordoada, e acaba sofrendo um acidente, que acaba apresentando-a para um misterioso rapaz, que será uma bela surpresa nessa noite da qual não esperava mais nada. Este conto foi um pouco diferente das outras histórias do Henri que tinha lido, ele tem um estilo de escrita que difere dos outros, porém estabelece-se rapidamente apresentando a personagem principal e a situação geral da trama. Particularmente, não curti muito a Thalia. Algo no jeito dela não me agradou de alguma forma, assim como não senti carisma em nenhum dos personagem, o romance criado não me animou e não torci pelo casal, talvez pelo fato de não haver alguma coisa contra eles que implicasse uma torcida. Entendo que o Henri tenha tido pouco espaço para estabelecer algo mais complexo, mas ele já fez isso em Replay e muito bem e eu vi muita coisa que não precisaria existir nesse conto para poder dar espaço a algo que completasse melhor a história. Porém, um ponto positivo foram as ligações deste conto aos livros da Saga das Sombras, temos participação de um dos personagens, referências ao lugar onde a história se passa, isso, sem dúvida, foi muito legal. O conto é do gênero New Adult, mas não acho que tenha sido necessário aquela quantidade de palavrões. Não que eu tenha algum problema com isso, longe de mim. Mas foi muito estranho um dos personagens não soltar um palavrão e na hora em que menos lhe convinha dizer uns quatro em uma só fala. Sonho Adolescente não é um conto ruim, tem seus defeitos, mas teve gente que gostou, e sei reconhecer que tem pontos positivos, porém, eles não foram o suficiente para que eu considerasse bom como um todo porque pouco espaço não é desculpa para história mal desenvolvida. 

2/5

27.4.14

DIGA AOS LOBOS QUE ESTOU EM CASA, Carol Rifka Brunt


Eu ainda não sei muito bem o que sentir depois de terminar Diga aos lobos que estou em casa. Não sei mesmo, esse livro foi uma experiência tão diferente, inexplicável. Não é um livro muito grande, mas eu demorei muito tempo para terminá-lo. Ao mesmo tempo em que eu não ligava de estar demorando porque estava curtindo o livro e quando terminei senti como se um peso tivesse sido tirado de minhas costas, como se tivesse acabado de voltar de uma viagem, completamente exausto, mas muito satisfeito com a jornada. Não sei se deu pra entender, mas a história desse livro baseia-se em June Elbus. Uma garota de 14 anos, extremamente introspectiva, que sonha em viver na Idade Média e só tem um amigo. O seu tio. Este, por sua vez, é um artista que morre de AIDS e antes de partir pinta um quadro com June e sua irmã Greta, com quem a garota tem um relacionamento complicado. Sentindo-se bem sozinha, June está desesperada para ter Finn (seu tio) de volta e descobre uma maneira bem improvável de poder descobrir mais sobre ele. Como disse no começo da resenha, eu demorei para ler, mas mesmo demorando mais do que o meu tempo comum de leitura, eu poderia dizer que devorei este livro. Fiquei absorto na história por todas essas semanas e seria muito incomum dizer que acabei adquirindo um pouco da personalidade da personagem principal? Mérito total da autora, com certeza. Sendo guiado pela primeira pessoa, somos reféns da mente de June e da divisão de capítulos que vai cada vez mais acumulando mistérios conforme o enredo vai crescendo, algo que acontece bem gradativamente. Não bastasse ter ficado tão observador e introspectivo quando a June nessas semanas, da metade para o final, acabei com um sentimento de sufocação literária. Sensação de claustrofobia causada pela trama. Visualmente, é como se estivéssemos na cabeça de June, por muitas vezes gritando para que ela dê segmento a uma conversa real, para que se aprofunde naquela migalha de assunto que é jogada ao leitor. É impressão minha ou ficou um mistério por resolver? Algo que estava me mordendo de vontade de descobrir não foi solucionado e isso me decepcionou um pouco. O tempo todo a gente se limita ao que June acha, ao que ela pensa, ao que ela não sabe, porque Carol Rifka toma rumos tão incomuns que depois de um tempo dá pra desistir de tentar adivinhar. A tradução está cheia de erros e não sei se isso será melhorado nas próximas edições ou não, mas espero que sim. Também devo ressaltar tamanha delicadeza com que a doença é retratada neste livro, como a personalidade de June, os outros personagens como Greta, os pais dela e Toby são levados para o papel. Sem dúvida, ela tem muita habilidade e sabe o que faz. Diga aos lobos que estou em casa foi mais do que uma leitura, foi uma experiência. E não sei se foi só comigo, se vai acontecer com você, ou seja já aconteceu com os outros leitores mas esse é daqueles livros que terminamos com uma mensagem e com uma sensação de dever cumprido. Sem dúvida alguma, recomendo a todos. 

4,5/5

Divergente (2014)

Enquanto assistia a esse filme prometi a mim mesmo duas coisas: Que tentaria ao máximo não pensar nas semelhanças com o livro e avaliar o filme sem envolver o meu coração de fã. Lá em 2012, quando eu li o primeiro livro da série Divergente, foi tudo muito realístico. A forma como a Veronica Roth narra tudo é bem visual e tem aquele ritmo de filme. Então nem posso dizer o quanto fiquei feliz e empolgado ao saber que eles adaptariam este livro. Voltando ao filme, aqui nós temos um início bem fiel que inclusive me deixou um pouco emocionado porque foi exatamente como eu tinha imaginado. Pouco a pouco somos apresentados ao sistema de facções, assim como somos introduzidos à personalidade da Tris, muitíssimo bem. Foi muito bom mostrar seu deslumbramento com espelhos, a incompatibilidade com a facção de origem, tudo muito bem capturado pelos roteiristas. As mudanças mais visíveis não me incomodaram porque foi uma forma de ajudar o espectador que não teve conhecimento dos livros a entender melhor a atmosfera da série. Eu vi um pessoal dizendo que o filme tinha pegado mais leve nas cenas de ação, o que é verdade. Boa parte dos acontecimentos mais fortes de Divergente não estão no filme, porém, as cenas aqui contidas já cumprem o seu trabalho, apesar de ter faltado um desenvolvimento melhor pro Peter, já que a sua parte foi excluída e ele ficou meio que um personagem avulso durante todo o filme. Também preciso falar sobre as atuações. Meu Deus, a Shaileene é muito ruinzinha, tadinha. Dificilmente muda de expressão, mas seria contradição dizer que ela cumpriu bem o papel da Tris? É que, no caso da protagonista, ela é sim calada e pensativa e desconfio que não demonstra seus sentimentos facilmente. E ainda tem uma cena que me deixou com o coração na mão que, na minha opinião, foi superior a do livro. Não posso dizer aqui porque é um spoiler dos brabos, mas foi muito bem interpretada. O Quatro foi apresentado com bastante cuidado, porém algumas coisas foram romantizadas demais, o que me incomodou um pouco. O ator que representou não é lá um primor, mas não é nada horrível. Também tem outros atores que cumpriram um papel marcante no filme, como a mãe e o pai da Tris, a Tori e a Christina e o Will, pelos quais sou tão apaixonado como na saga literária <3. Mas o destaque mesmo fica para Kate Winslet, o maior nome do filme, que é simplesmente A MELHOR JEANINE que eu poderia imaginar. Dá pra ficar com raiva, dá pra acreditar nas suas mentiras... Uma escolha muito boa, sem dúvida. Divergente foi um filme com bastante ação, captou bem a atmosfera dos livros, com uma trilha sonora incrível e já é um hype cinematográfico. Mesmo tendo o enredo mais introdutório dos três, foi tudo o que poderia ser e foi muito bom. Recomendo pra todo mundo e já estou esperando ansiosamente para a adaptação de Insurgente e tenho certeza de que as coisas vão ficar ainda melhores!

4/5

26.4.14

Noé (2014)

Inicialmente não dava nada por esse filme, esse trailer de blockbuster, o elenco de blockbuster (porém, Emma <3), nada me interessava. Em uma ida em família ao cinema, fomos ver Noé, porque era o filme que todo mundo queria assistir e eu comecei a ver já imaginando o tamanho da chatice que ia ser. Porém, Noé não é aquele bicho de sete cabeças, tem uma história repaginada da versão bíblica (eu não tava esperando por algo fiel, até porque não conheço direito a versão original), com Guardiões que são basicamente Transformers de pedra e que são a representação dos anjos caídos na história, e uma cidade pecaminosa que quer ser salvo do dilúvio. Com o conflito cidade x Noé x guardiões, o filme é levado. No princípio, concentrando-se na criação do mundo, e logo depois na criação da arca e o dilúvio. Devo dizer que só aceitei assistir esse filme por causa da Emma Watson que, mais uma vez, dá um show de atuação e também tinha o Logan Lerma, que contracenou com ela em As Vantagens de Ser Invisível. Não é muito um primor de ator e ainda por cima deram um dos personagens mais malas para ele, não curti. Russel Crowe defende bem o seu Noé, assim como a esposa dele também cumpre bem o seu papel. Até então, estava curtindo o filme, quando chegamos ao desfecho. Tudo vira simplesmente um samba do crioulo doido, eles colocaram ações que me irritaram profundamente, criaram tantos conflitos de personalidade que estes se tornaram insuportáveis no fim. Eu não sei dizer direito, mas se eu assistisse o filme sem o final, teria gostado muito mas todo aquele lenga-lenga que se forma no final, me deixou nauseado. Uma grande falha no roteiro e que estragou o conjunto da obra.  E o 3D é bem simples, não tem nada demais, provavelmente assistir ao normal e a esse deve ser indiferente.Este é um filme que não recomendo, por ter sido uma experiência bem ruim.

3/5

25.4.14

GIVE ME THAT CROWN B*TCH, I WANNA BE SHEEZUS!

HA HA HA HA HA HA HA HA. É assim que começa a música Sheezus da Lily Allen, que é single promocional, do novo álbum homônimo. Lançada de surpresa na internet dia 22 desse mês, é uma das músicas mais irônicas da carreira dela, com uma letra que alfineta as cantoras do cenário pop atual, Lorde, Katy Perry, Gaga, Beyoncé e mais. Já não bastasse a letra polêmica e deliciosa, nós temos essa música super bem produzida e rapidinha que nos deixa com gosto de quero mais depois de cada ouvida.  E ainda temos o clipe para completar. Bem simples, porém cheio de efeitos especiais interessantíssimos e o melhor até agora dos lançados pelo CD. Essa foi uma boa forma encontrada pela Lily de gerar buzz para o álbum e a sua volta, mostrando que ela está ciente do que está acontecendo na música ao mesmo tempo em que continua com o mesmo jeito sem papas na língua de sempre. Uma das minhas músicas pop favoritas do primeiro semestre e torço para que dê certo e faça bastante sucesso por aí!

We all watching Gaga, LOL HAHAHA, dying for the art so really she's a martyr...

OVERDOSE SKY FERREIRA

Resolvi começar essa coluna aqui no blog porque notei que ultimamente tenho dado pouquíssimo espaço para a música nos posts. Então, vamos lá, Overdose que acho que será o nome da coluna, sempre mostrará um verdadeiro dossiê de algum artista que eu gosto muito e acho que vocês também deveriam gostar, hahaha. Conheça Sky Ferreira. Essa garotinha linda de apenas 21 anos, nascida nos EUA, com descendências brasileiras (!) e com apenas um álbum lançado é dona de uma verdadeira sequência de músicas deliciosas, que abrangem diversos estilos e demonstram uma verdadeira evolução. Sky começou uma menininha mesmo, lá atrás, produzindo EPs com músicas mais bubblegum pop tipo 17 e Obsession, sendo dessa levada Old Sky Sex Rules a minha favorita. Mas o primeiro EP, As If!, também tem maravilhas como Haters Anounymous que é bem dançante e tem uma letra bem marcante, assim como os vocais da cantora estão lindíssimos. E também tem Traces que foi a primeira música dela que ouvi. Logo depois, ela trouxe para nós mais um EP. Com um visual totalmente renovado e uma sonoridade menos pop convencional, Sky lançou Ghost que, dos EPs, é sem dúvida o meu favorito. Simplesmente uma grande mistura musical, ela faz uso do folk e do indie pop, com músicas lindas de viver. Com letras lindas. Sad Dream, 108 e a minha favorita Everything Is Embarassing que eu achei que merecia estar incorporada em vídeo neste post! 


Em apenas dois EPs, Sky conseguiu fazer uma coleção memorável de músicas muito superiores a muito artistas com tempo de carreira e diversos álbuns lançados. Porém, ela precisava ir mais alto. Foi então que lançou o álbum Night Time, My Time, uma produção bem carregada, enxuta e madura que desfez a imagem de garotinha de Sky e a lançou muito bem na cena alternativa. São inúmeras faixas favoritas, em ordem de preferência, Boys, I Blame Myself, 24 hours, You're Not The One, Ain't Your Right e a faixa-título que é uma música que te faz viajar completamente, um absurdo de boa, porém uma das menos comerciais da Sky e que precisa ser ouvida mais de uma vez pra poder gostar de verdade. Mas garanto que depois dessas duas vezes, você não vai parar de escutar! Então essa foi a Overdose de Sky Ferreira, espero que vocês gostem da minha dica e venham comentar pra dizer o que acharam dela. Sky é uma cantora que ainda tem muito a percorrer e tenho certeza que irá fazer caminho com sucesso, pra fechar o post vou deixar o último clipe dela, que foi lançado a pouco tempo e mostra um pouco da sua experiência na cadeira, quando foi apreendida com drogas, no ano passado e que é de uma das minhas músicas favoritas da vida.

22.4.14

The Walking Dead, 4ª temporada (e a minha despedida)

Eu ainda não consigo acreditar em como eles estragaram essa série. Juro que, depois da season finale desta temporada, disse a mim mesmo que não voltaria mais a assistir The Walking Dead. Acontece que, quando os roteiristas começaram a sacrificar a história por puro oportunismo, tudo ficou meio que insuportável. A primeira temporada de TWD foi bem curta, muita ação, zumbis. A segunda foi maior, um pouco mais lenta, um final repetitivo, mas boa. A terceira trouxe novos personagens, me emocionou e depois decepcionou no final. Mas, tudo bem, eles ainda tinham esta temporada pra poder trazer aquele frescor, suspense e aquela sensação de assistir com o coração saltando pela boca, as coisas poderiam ficar melhores agora que eles já tinham passado as primeiras temporadas. Esperava ainda mais ação, novos personagens, a trama se desenrolando... Acontece que, na quarta temporada, The Walking Dead instalou-se numa zona de mesmice e repetição. Um acontecimento que estava sendo anunciado nos primeiros pôsteres da temporada e que prometia bastante, demorou toda a temporada para poder acontecer, nem sendo explicado direito no final. Foi como se dois episódios do primeiro ano tivessem sido tediosamente estendidos em mais de dez episódios. Há uma preparação para o clímax e quando ele acontece, no episódio seguinte voltamos a um ritmo bem lento, talvez até maior do que estava antes e novamente somos visivelmente preparados para algo que está por vir. Deu-se a sequência de episódios pós-mid-season. Todos eles lotados de flashbacks, tendo uma consequência ligeiríssima em comparação à trama central. Não vou dizer que estes foram de todo ruim, de certa forma, foi bom conhecer melhor alguns personagens que, na prisão, não eram tão mostrados assim, tiveram até alguns episódios muito bons como Still e The Grove que tem uma das cenas mais chocantes de toda a série. Com a preparação agridoce para o clímax, assim como aconteceu antes da metade da temporada, nós somos levados ao episódio final que, por sua vez, se mostra mais lento do que alguns anteriores, parei por muitas vezes para fazer outras coisas, completamente entediado, coisa que não acontecia quando eu assistia TWD. Mas vamos falar do Season Finale que foi o grande estopim para o meu abandono da série. Com o começo lento, eu ficava cada vez mais irritado com o fato de que provavelmente deixariam tudo para os últimos minutos e foi isso que fizeram. Com um desenvolvimento de enredo que poderia ter durado uns quatro episódios, mas durou quinze, nós somos apresentados a uma nova condição e sem entender muito como funciona, informações cruas são jogadas em nós, coisas acontecem e eu fiquei muito perdido assistindo. E então, como se não tivessem enrolado a temporada inteira, eles terminam DAQUELE JEITO. Sem um mínimo de explicação, com um cliffhanger muito do fajuto que não teve outra função a não ser me deixar com raiva e com a certeza de que nunca mais assistiria The Walking Dead. Então é isso, vi que muita gente gostou desse episódio, e desta temporada. Mas pra mim, realmente, não funcionou. Agora é usar esse tempo pra descobrir uma série que desfaça a decepção causada por essa.

2/5


18.4.14

O MARAVILHOSO MÁGICO DE OZ, de L. Frank Baum

O Maravilhoso Mágico de OzMartin Claret, 168 páginas



Depois de uma experiência maravilhosa com a adaptação de 1939, resolvi me aventurar a ler o livro de L. Frank Baum. A história é aquela que todo mundo já conhece, Dorothy é uma garotinha que vive uma vida cinzenta (no caso do filme, em tons de sépia) e que, depois de um tornado, vai parar em uma terra estranha, a Terra de Oz. Quando chega lá, sem a mínima ideia de onde está, Dorothy inicia uma jornada, encontrando alguns bons amigos (e outros nem tanto) pelo caminho, para voltar ao Kansas e para os seus tios. O livro basicamente tem a mesma premissa do filme, que em sua maioria é bem fiel. A maioria das cenas foram mantidas e o principal está lá, o que é bem legal. Mas, assim como eu disse a mim mesmo durante a leitura, nesta resenha, vou esquecer do filme e falar do livro como algo independente. O Maravilhoso Mágico de Oz é uma história infantil, então sua linguagem é bem fácil e acessível. Logo de início, já me peguei envolvido por esse mundo, porque tudo criado aqui é tão fascinante e criativo. O enredo é bem dividido, tendo em vista que contém mais acontecimentos que o filme (olha eu quebrando a minha promessa!), sempre que a história dava uma esfriada, o autor aparecia com um novo acontecimento pra movimentar tudo, apesar de ter chegado a uma parte que me deixou um pouco entediado, mas isso passou bem rápido. Uma coisa que me impressionou um pouco, foi a quantidade de cenas mais... Fortes para o público infantil. São diversas coisas que na adaptação do filme ou na concepção da massa poderiam parecer politicamente incorretas, mas nada que atrapalhe a leitura. Com essa resenha bem breve porque o livro também é bem curto, deixo aqui a minha opinião sobre O Maravilhoso Mágico de Oz e a minha recomendação também. É um livro leve e fácil que por sua simplicidade e mensagem que perdura através dos tempos, tornou-se um clássico. Leiam!


3,5/5
 

16.4.14

Gossip Girl, 1ª temporada



http://2.bp.blogspot.com/_7AlKpcv8hYU/TMxReh1CVxI/AAAAAAAAAOs/IS5WY0oLaSM/s1600/2jbv1h3.jpgHá pouco tempo atrás, eu costumava ver muitas pessoas falando sobre Gossip Girl por aí, a série conquistou uma legião de fãs e eu cheguei a acompanhar por alto o seu desfecho. Alguns anos depois, com um amiga que tem um box da primeira temporada e uma curiosidade, eu me dei ao trabalho de pelo menos experimentar e ver como era. Gossip Girl conta a história da vida glamorosa dos adolescentes ricos, moradores do Upper East Side, centrando-se em Serena Van Der Woodsen, que acaba de voltar à cidade depois de um misterioso desaparecimento, e a sua amiga Blair Wardolf. A série também desenvolve os enredos dos pais desses jovens e dos amigos de Blair e Serena. Bem, comigo, foi assim, comecei com o primeiro episódio como quem não quer nada e já gostei muito porque, é costume de séries terem o seu piloto mostrando diversas promessas de tramas e com GG não foi diferente. Conforme eu ia vendo os outros, ia me apaixonando cada vez mais porque essa série é a coisa mais viciante que existe. Todo aquele clima de fofoca, com o blog em que a vida desses jovens geralmente é exposto, a Gossip Girl, os segredos que todo mundo parece ter e são revelados. Sempre tinha uma coisa que me deixava curioso para ver o próximo e assim foi até o último episódio. De longe, a minha personagem favorita foi a Blair. Meu Deus, ela é a maior bitch-friendly que existe nos seriados, acho que até supera a Katherine de TVD (ou não). As cenas delas sempre são as melhores e eu adoro o fato de ela ter o seu próprio plot, aprofundando-se em seus dilemas, o que faz com que ela se torne mais friendly para o espectador. A Serena é a típica protagonista, muitas vezes, tomou atitudes egoístas e MUITO burras que me deixaram com vontade de entrar na televisão e estapear ela. O Dan é suuuper legal. Muito sarcástico e carismático, é uma pena que eu já saiba de um spoiler gigantesco sobre ele. O Chuck foi um personagem que odiava no começo, aprendi a gostar e, no final, continuo odiando e a Jenny, que eu jurava que fosse a Ashley Benson mas na verdade é a Taylor Momsem fez parte da maioria dos melhores momentos da série. Essa temporada foi simplesmente incrível e acredito que ainda tem muita coisa por vir! Volto em breve com a resenha da segunda temporada.


5/5

13.4.14

O RETRATO DE DORIAN GRAY, de Oscar Wilde



http://2.bp.blogspot.com/-ObBUagnTRuk/T7hhX0n80SI/AAAAAAAAENg/nJK7iw6ykOI/s1600/85056_gg.jpgUm homem de beleza extraordinária, de nome Dorian Gray, torna-se o objeto de inspiração para o artista Basil Hallward. Encanta-lhe, não apenas as feições angelicais e inocentes de Dorian, como sua personalidade imaculada e gentil. Depois de, contra a sua vontade, apresenta-lo a seu amigo, Lord Henry, ele acaba por presenciar o que mais temia. Sua corrupção. Dorian começa a se tornar um homem egoísta, que venera a própria aparência e a si mesmo. Com medo de que algum dia fosse perder a beleza, tudo o que ele deseja é ser jovem para sempre e, sem querer, isso acaba se tornando realidade. O retrato que Basil lhe pintou passa a sofrer as consequências do tempo, enquanto ele preservará sua glória, como tanto queria. Porém, Dorian acaba vendo de perto que além de mostrar seu envelhecimento, o retrato também mostrará a degradação de sua alma. Ainda estou extasiado com esta leitura. Sempre quis ler O Retrato de Dorian Gray devido à sua história que chama a atenção de qualquer um, principalmente tendo sido escrito no século XIX. Oscar Wilde surpreende mostrando, num livro muito ousado para sua época, a corrupção do ser humano em decorrência da valorização da beleza e de influências exteriores, além de pôr, dentre as páginas, inúmeros questionamentos acerca do que é moral e imoral. Declarações essas que, na maioria das vezes, sai do personagem Lord Henry, que, pra mim, foi uma das causas para que Dorian se modificasse. Ele tem sempre uma fala que questiona o ser humano em si e os hábitos da época. Com opiniões duvidosas sobre a mulher e outros assuntos. Dorian Gray foi um livro que me consumiu, porque, mesmo tendo um começo que me causou estranhamento, fluiu de forma surpreendente para um clássico, encaminhando-se para um enredo perfeito, com fases que nos relatam exatamente as mudanças do protagonista. Fiquei encantado. Como nenhum livro é perfeito, classificaria o capítulo 11 como o calcanhar de Aquiles deste. Ele deveria retratar uma passagem de tempo, porém é mais como uma viagem por descrições exageradas do autor que pouco dizem ou pouco importam, bem desnecessário, mas perde quando comparado às outras partes do livro. Dorian começa como um personagem quase que coadjuvante e depois torna-se o centro de tudo, causando diversas reações em quem está lendo. Mesmo com inúmeros personagens que aparecem ao decorrer da leitura, esses três – Dorian, Basil e Henry – levam o livro, pois são os mais importantes para a trama. A aparição James Vane foi bem previsível para mim, e não fiquei nem um pouco surpreso quando em determinado ponto da leitura ele ganhou sua importância. O desfecho não é muito conclusivo, porque a história não foi feita para ser conclusiva, acredito. Depois de ler, acabei com o pensamento de que a corrupção, mesmo que remediada, está dentro de todos nós. E esses remédios podem servir ou para escondê-la de nós mesmos ou para apaziguá-la. Nos corrompemos todos os dias, por diversos motivos. O que fazemos, o que desejamos, não tem volta. E a verdade é que temos que aceitar e viver com isso.  Sendo o primeiro clássico que li, foi uma surpresa e tanto. Terminei e fiquei pensando sobre, o que sempre é bom. Por favor, quem estiver lendo esta resenha, sinta-se devidamente recomendado.

4,5/5

A HORA DA ESTRELA, de Clarice Lispector



http://www.livrarium.com/wp-content/uploads/2014/04/A-Hora-da-Estrela.jpgAcredito que todo leitor tenha aquela fase de querer sair experimentando coisas novas. E, já tendo lido uma boa quantidade de livros, eu achava que estava mais do que na hora de ter a minha primeira experiência com a Clarice Lispector, com quem só ouvira falar por alto e por aquelas frases de Facebook que todo mundo vive postando. Era uma vergonha, eu sei! Mas eu finalmente dei a minha cara a tapa e comecei o que em meus planos será uma jornada para conhecer a obra completa de Clarice. A Hora da Estrela conta a história de Macabéa, uma nordestina que vem para o Rio de Janeiro para trabalhar e vive uma vida miserável. Nós acompanhamos a história de Macabéa pelos olhos do narrador, que também é um personagem, que não participa da história, Rodrigo. Eu fiquei apaixonado por esse livro! Durante a leitura, fiquei completamente absorto na história que Clarice criou. Quando lia, era como se meu coração estivesse com Macabéa, como se Rodrigo fosse um amigo próximo que estivesse contando uma triste história real. O que mais surpreende nesta história é a veracidade de tudo, algumas vezes questionada por Rodrigo. Macabéa não é ninguém em especial. Ela representa os milhares de nordestinos que saíram da miséria em busca de uma vida melhor e, até hoje, ainda saem. Então, ela é sim real. Ela é uma personagem mártir, sofre bastante, mas em nenhum momento reclama da vida. É até bem tranquila com relação a tudo, o que faz com que simpatizemos com ela ainda mais. Algo que também pode ser observado são as semelhanças entre o Rodrigo e a própria Clarice. Ele é um escritor e em diversos momentos relata ao leitor que está cansado de escrever aquele livro, que precisa contar a história, mesmo que ela não tenha nada em especial. Isso fez com o que eu me sentisse na cabeça do narrador, me fez sentir participativo na história mais do que já me senti em qualquer outro livro, foi uma experiência incrível e única até agora. E sendo este o último livro de Clarice antes de sua morte, também dá pra perceber pelas palavras do narrador a morbidez empregada ao enredo que assemelha-se ao pensamento de Clarice nesta época (vide esta entrevista). A Hora da Estrela é um romance incrível, pequeno, sublime, um espetáculo literário. Pessimismo e otimismo, crueldade. Tudo isso junto, combinando-se como jamais deveria. Recomendo a todos que leiam e já quero mais Clarice!

5/5